Pantagruel
no campo
CINEMA NA ESPLANADA
Sociedade Harmonia Eborense
Évora
Actividades paralelas
De 25 a 30 de Setembro
22h
O cinema é muitas vezes lugar de concretização
de excessos, num tempo antigo inscritos na ficção, nos
dias de hoje cada vez mais próximos do real que nos circunda.
Os filmes que este ciclo propõe, centrados em palavras-chave
como comer, beber, agricultura, encontram no documentário a
forma de expressão da sua condição excessiva,
pantagruélica.
Filmes como Mondovino (Jonathan Nossiter,
2004), Super size me (Morgan Spurlock,
2004) ou A lei da terra (Grupo Zero,
1977) são exemplares na forma como representam essa condição
excessiva, dos meandros da monopolização da produção
vinícola ao excesso do próprio projecto documental,
com a história em fundo. A história portuguesa em particular,
nesta revisitação d’A
lei da terra e de um Alentejo que teima em permanecer (ou em
desaparecer?).
É também um certo Portugal que reencontramos no trágico
Crime de Aldeia Velha (Manuel Guimarães,
1964), filme onde a agricultura tem lugar apenas como ténue
referente de onde emergem machados e enchadas como ódios e
desafios (já se disse que o cinema português não
soube ou não quis representar a agricultura de outra forma…).
Com o clássico de Marco Ferreri, A
grande farra (1973), a bizarria gastronómica cruza caminho
com o sexo e a morte, ainda figuras do excesso e do voraz que se reencontram
no último dia do ciclo. Nele são apresentados 10 curtos
filmes de Kurt Kren, registos (num registo muito intenso e pessoal)
de acções performativas de Günter Brus e de Otto
Mühl. Comida, sexo e videotapes podia bem ser o subtítulo
desta série de Action films
dos anos 70, por mão de um realizador transgressor e iconoclasta.
Seis filmes de pantagruélica grandeza perante o acto de comer
e a imensidão do campo e da agricultura na nossa história.
Os filmes são exibidos na esplanada da Sociedade Harmonia Eborense,
a partir das 22h, de 25 a 30 de Setembro, fechando o ciclo iniciado
com Canibal tapes em Julho. A proposta
situa de novo na esplanada a projecção, isto é,
assume, no seu formato, a mobilidade das pessoas, o som ambiente,
as variações de atenção dos potenciais
espectadores. |
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