Literatura & Hospitalidade
Encontro,
conferências, debates, leituras,
música e festa
11 a 14 de Julho Évora
Espaço Celeiros
Todos os dias, a partir das 18h
Entrada livre,
excepto sábado:
Bilhetes: 5 €
Entre literatura e hospitalidade
encontram-se relações de profícua densidade
e encontram corpo múltiplas escritas.
E assim como não é una a literatura,
são muitas as declinações
da hospitalidade, do romance à filosofia,
de Lewis Carroll a Lévinas e Derrida,
abrindo sucessivas vias de contaminação
e implicação.
O Festival convidou por isso Pedro Eiras para
comissariar um encontro de escritores / escritas
centrado nas declinações da hospitalidade
que, no mundo contemporâneo, cruzam os
caminhos das escritas com os das leituras. Frutos
dessa declinação: a ampla rede
de palavra-chave que face à hospitalidade
perfilam as variações sobre as
inquietações que são hoje
o mundo: o exílio, a ausência, as
migrações e a mobilidade, as línguas
e as identidades, pátrias e mátrias…
Encontro em busca das ocasiões de hospitalidade,
de múltiplos aconteceres, partilhas e
experiências. Lugares de acolhimento, lugares
do mundo.
Hospitalidade(s)
Pedro Eiras (curador)
Certamente
nunca se falou tanto de deslocações,
viagens, acessibilidade aos ditos quatro cantos
do mundo — nunca se pensou como hoje uma
globalização ou mundialização.
E contudo, nesse novo espaço partilhado,
eventual, virtual, continuamos sem saber o que é a
hospitalidade e que gestos ela exige.
O Outro
tornou-se um ícone pacífico,
politicamente correcto, mediático e estatístico,
portanto esvaziado de questões e desafios
reais. Quanto a nós, reconhecemo-nos mais
nómadas do que nunca, mas enclausurados
em fronteiras que só a economia transcende,
para maior glória de mercados e efémeros
turismos. O ocidente e o oriente, o norte e o
sul permanecem quatro exílios cardeais.
Nesta
rede de contradições, o
que pode ser a hospitalidade? E até que
ponto se pode responder a esta questão,
se hospitalidade é precisamente o desafio
que nunca pode ser terminado, que deve inventar
respostas e reinventar-se a si mesmo, de cada
vez que o Outro surge, não teórico,
não abstracto — mas na sua unicidade?
Talvez não saibamos o que é a hospitalidade,
talvez afinal não devamos descobrir uma resposta
para a pergunta, talvez possamos só, como
nómadas, dar hospitalidade a todos os
sentidos da palavra.
É o que se propõe nestes dias:
convidar a sociologia, a política, a filosofia,
o cinema e a literatura para que reinventem melhor
a questão. Debater e jogar com João
Teixeira Lopes, Luís Mourão, Madalena
Nunes, Maria João Cantinho, Regina Guimarães & Saguenail,
e em festa com os espectáculos de Fil
Rouge e Melech Mechaya.
Convidar, debater, jogar — não
para esgotar a questão da hospitalidade,
então, mas para pensar o que se aposta
realmente hoje no jogo do mesmo e do outro. Aposta-se
a vida e a morte, os subúrbios e os passaportes,
os contentores de comboios e os mitos urbanos,
o lugar e o nomadismo. Que mais? Só o
saberemos em torno de mesas e cadeiras desarrumadas,
jogos, projecções de filmes, encontros
inesperados.
Quais encontros? Os vossos. Sejam bem-vindos!
Programa
Pedro Eiras
(curadoria)
Regina Guimarães & Saguenail
(ciclo de filmes comentados, 11 a 13 de Julho, 22h) João
Teixeira Lopes (11 Julho, 18h) Luís
Mourão (12 Julho, 18h) Maria João
Cantinho (13 Julho, 18h) Madalena
Nunes, “Posso ir para tua casa?” (13 e 14 Julho, tarde)
Espectáculos
Fil Rouge, Lanka (14
Julho, 19h e 22h 30) Melech Mechaya,
concerto (14 Julho, 24h)
Sobre os espectáculos
Melech Mechaya (PT) é uma proposta musical
de grande força renovadora, entre as identidades new
age e o debate pós-colonial. Música
poderosa e divertida, música festiva e
reflexiva, música lugar do(s) mundo(s)
por vir.
Fil Rouge (FR)
A jovem companhia de Novo Circo Fil Rouge traz
de França um espectáculo de excelência,
numa disciplina (o Novo Circo) cuja linguagem
se tem revelado capaz de renovar o nosso olhar
sobre o circo e de continuar a seduzir pelo
jogo destes eternos nómadas. A Festa
instala-se com a chegada do Circo, contagia,
aproxima e envolve. (cfr.
página própria)
Sobre os participantes
Pedro
Eiras nasceu no Porto a 24 de Maio de 1975,
onde é Professor Auxiliar da Faculdade
de Letras. Publicou ensaios e peças de
teatro, que têm tido encenação
regular. Programou, com Ana
Luísa Ramos, duas séries da Festa
da Poesia, na Biblioteca Florbela Espanca,
Matosinhos (2005 e 2006); actualmente está a
programar, no mesmo local, a terceira edição
da Festa da Poesia (a decorrer em Dezembro
de 2007) e um ciclo de palestras intitulado Jovens
Ensaístas Lêem Jovens Poetas (a
realizar em Outubro de 2007).
Regina Guimarães & Saguenail
Criadores cinematográficos independentes,
com extensa obra produzida e exibida contra a
corrente. Também autores de poesia, novela
e teatro, em português e francês.
Vivem no Porto.
João Teixeira Lopes é professor
de Sociologia na Faculdade de Letras do Porto,
especialista em práticas culturais urbanas.
Integra o Observatório das Actividades
Culturais. Avaliador de projectos de combate à exclusão
social. Foi programador de Porto Capital Europeia
da Cultura 2001, na área do envolvimento
da população. Representou o Bloco
de Esquerda como deputado à Assembleia
da República entre 2002 e 2006.
Luís Mourão (1960), é doutorado
e agregado em literatura portuguesa do século
XX, professor no Instituto Politécnico
de Viana do Castelo, ensaísta, bloguista
e ficcionista a tempo ainda muito parcial.
Maria
João Cantinho nasceu em 1963. Estudou
filosofia na Universidade Nova de Lisboa, onde
realizou também o mestrado, com a dissertação “O
Anjo Melancólico: ensaio sobre o conceito
de alegoria na obra de Walter Benjamin” (Angelus
Novus, 2003). Tem igualmente publicado poesia
e ficção. Tem colaboração
publicada em várias revistas. Encontra-se
a prepara tese de doutoramento.
Madalena Nunes é Socióloga, formadora,
sociodramatista, educadora. Amante de filmes,
livros e seres humanos. Licenciatura em Sociologia
(U. P.), Pós-graduação em
Sociologia do Conhecimento (U. N. L.). Trabalha
actualmente na Comunidade Terapêutica do
Norte.
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