Projecto Mena (teatro)
(PT)
Com Filomena Sousa
Zeza Cortez (encenação e
concepção plástica), Eduardo
Nogueira e Inês Sobral (direcção
de produção), Mónica
Louro (direcção técnica), Samuel
Traquina (sonoplastia), Ricardo
Gomes (luz e
design gráfico) e Miguel
Clara Vasconcelos (acompanhamento artístico).
Produção Teatro NãO – Associação
Cultural
22 de Setembro
21h30m
Convento do Carmo, Évora
Bilhetes: 5 € ,
estudante 2€
Quantos corpos há numa só pessoa?
Quantas identidades?
Quantas personalidades?
Quantos sentidos?
Quantos sentimentos?
Quantas histórias?
Quantas histórias tem essa história?
Quantas palavras?
Quantos homens cruzam essa história?
Amigos? Inimigos? Irmãos? Vizinhos?
Clientes?
Quantas ruas e esquinas procuradas?
Quantos batons vermelhos?
Quantas meias rotas?
Quantos chutos?
Quantas “chinesas”?
Quantas horas?
Quanto frio?
Quantas cicatrizes?
Quanto tempo?
Quanto medo?
Quantos cigarros?
Quantas cervejas?
E, quantas vezes nos perguntamos isto?
Quantas “Menas” já se
interrogaram sobre tudo isto?
Mena, a nossa Mena, responde.
Definido
como um espectáculo
de teatro documental, em Mena serão
recriadas as imagens do percurso de Filomena
Sousa, assumindo um claro cruzamento entre a
história contada pela voz da própria
e uma forma diferente de se fazer teatro – só assim é possível
colocar o dedo na ferida, na profundidade do
poço que é o mundo da prostituição.
Filomena, uma prostituta das Caldas da Rainha,
coloca a sua vida em cima da mesa, tão
próxima da verdade e da realidade quanto
possível, é fiel a ela própria.
Neste contexto, estamos frente a frente com a
verdade. A verdade da situação,
da personagem e da respectiva vivência.
Verdade que respira, transpira, bebe, fuma, fala;
a verdade que é a dela, a verdade da Mena.
Ela, a vida dela, a história dela, a palavra
dela, as respostas, olhos nos olhos, sem quarta
parede.
Um testemunho na primeira pessoa de uma história
clandestina, a realidade de uma classe, que se
quer esquecida por uma sociedade atenta mas “de
olhos bem fechados” que teima em não
encarar de frente um problema com carácter
de urgência social.
Mais informações em http://projectomena.blogspot.com
Filomena Sousa
Filomena, ou Mena, como gosta de ser tratada,
nasce nas Caldas da Rainha a 19 de Outubro
de 1966. Com apenas 7 anos de idade assiste
ao suicídio de seu pai. Aos 14 anos é enviada,
por sua mãe, para a Casa Cristã Rainha
Santa, Quinta das Laranjeiras, em Coimbra,
onde adoece. É internada no Hospital
das Caldas da Rainha. Aqui permanece vários
meses e acaba o 6º ano da Telescola. Aos
15 anos conhece o homem que viria a ser o pai
dos seus filhos e também aquele que
lhe daria a conhecer a heroína. É mãe
pela primeira vez no mesmo ano em que se casa,
tem apenas 16 anos. Com 20 anos fuma o primeiro
charro na companhia do seu marido. Aos 25 começa
a fumar heroína e é vítima
de maus-tratos por parte do mesmo. Tenta suicidar-se
aos 26 anos, em duas ocasiões. Aos 29
anos prostitui-se pela primeira vez. Recebe
dois mil escudos. Aos 30 anos é raptada
em Viseu e levada para Espanha. É explorada
e agredida, mas alguns meses depois, consegue
fazer chegar uma denúncia à polícia,
através de um cliente de nacionalidade
espanhola. Vai testemunhar a tribunal em Aveiro
e volta para as Caldas da Rainha. Aos 33 anos
faz um aborto. Recorre ao Programa de Ajuda
ao Toxicodependente, com 38 anos e depois de
ter tentado, sem ajuda, várias curas
a frio ao longo de 13 anos de consumo. Hoje,
com 40 anos, Mena continua a prostituir-se
em frente ao cemitério das Caldas da
Rainha. Continua a ir a entrevistas de emprego
e a ser despejada de casa periodicamente.
Zeza
Cortez
Zeza Cortez, nome artístico de Maria José Gonçalves,
nasce em Areias de Vilar, Concelho de Barcelos,
em 1978, e desde cedo começa a contactar
com várias actividades do foro artístico.
Aos 6 anos de idade já cantava e actuava
em peças de escola, catequese, escutismo
e festivais de música. Embora nunca tenha
estudado teatro ou canto, é na adolescência
que ganha consciência do seu gosto pela
arte dramática. É vocalista de
algumas bandas e continua a fazer teatro. Estuda
Humanidades e Ciências mas é num
curso profissional que completa o secundário.
Ingressa no ensino superior no Curso de Teatro
sem qualquer experiência académica
nesta área. Aqui desenvolve apetências
na arte que tanto aspira. Dos trabalhos
realizados destacam-se As três Irmãs,
de Anton Tchekov, dirigido por Beatriz Batarda,
Guilherme Mendonça e Margarida Tavares;
Despertar da Primavera, de Frank Wedekind, dirigido
por Diogo Dória e À Espera de Godot,
de Samuel Beckett, dirigido por João Garcia
Miguel.
Eduardo Nogueira
Nasceu em Alcobaça, em 1984. Frequenta
o 4o ano do curso de Teatro na, Escola Superior
de Artes e Design das Caldas da Rainha. De entre
alguns trabalhos destacam-se as participações
em Fim de Linha (2005) - encenada por Miguel
Borges e João Garcia Miguel; As Três
Irmãs (2005) – encenada por Beatriz
Batarda, Guilherme Mendonça e Margarida
Tavares; O Despertar da Primavera, encenada por
Diogo Dória; participação
artística no Cenas – Mostra de Teatro,
e nas curtas-metragens Máquina Um, de
João Matos, e Hot Caldas, de Miguel Clara
Vasconcelos.
Mónica Louro
Nasceu na Figueira da Foz, em 1981. Frequenta
o 4o ano do curso de Teatro na Escola Superior
de Artes e Design das Caldas da Rainha. De
entre alguns trabalhos destacam-se as participações
em Fim de Linha (2005) - encenada por Miguel
Borges e João Garcia Miguel; As Três
Irmãs (2005) – encenada por Beatriz
Batarda, Guilherme Mendonça e Margarida
Tavares; O Despertar da Primavera, encenada
por Diogo Dória
Teatro NãO
O Teatro NãO é uma associação
cultural sem fins lucrativos, criada em Janeiro
de 1997 por Miguel Clara Vasconcelos, Nuno Morão
e Gonçalo Ventura Ribeiro. Inicialmente
ligada ao teatro e a outras áreas performativas,
foi acompanhando a diversificação
e exploração de interesses dos
seus membros, tendo-se dedicado a actividades
pluridisciplinares e mais recentemente encetado
um caminho dentro do audiovisual, numa primeira
fase na produção e actualmente
na pós-produção videográfica.
Ao Teatro NãO têm-se associado muitos
criadores e intelectuais de diversas áreas,
sendo por isso que apresenta no seu curriculum
projectos tão variados na área
do teatro, música, cinema, exposições
e publicações. Entre estes é possível
enumerar a edição da revista V-Ludo,
o Festival Hertzoscópio - Festival de
Arte Experimental e Transdisciplinar, a Mostra
de Vídeo e Performance “Novas Periferias”,
os espectáculos “Por Baixo há Estrume” ou “Instantes”,
entre outros. O Teatro NãO vem contando
com o apoio de prestigiadas instituições
para a realização das suas propostas.
Estes eventos têm sido sempre caracterizados
por uma linguagem assumidamente crítica
em relação aos assuntos tratados,
pelo investimento no uso das novas tecnologias
aplicadas à cultura e sobretudo pelo rompimento
em relação a formas tradicionais
da criação artística. O
Teatro NãO promoveu assim, desde sempre,
projectos que apresentam uma visão original
e actual dos temas e das formas de concretização
e apresentação dos mesmos.
A estrutura de funcionamento do Teatro NÃO
assenta na ideia de procurar adequar a equipa
e os meios de produção aos projectos
desenvolvidos. Esta associação,
como reunião de pessoas criativas que
desejam exprimir as suas potencialidades artísticas
nas mais diversas áreas, consegue assim
um compromisso estável da sua equipa com
os projectos ao longo do cumprimento das etapas
do processo criativo, desde a ideia original
até à sua apresentação
final.
Miguel Clara Vasconcelos
Nasceu em Lisboa, em
1971. É professor na
Escola Superior de Artes e Design das Caldas da
Rainha, onde lecciona disciplinas no Curso de Teatro,
desde 2006. Paralelamente, é encenador de
teatro e realizador de cinema com vários
filmes documentais, dos quais destaca Documento
Boxe, 2005, prémio Melhor Curta Metragem
Portuguesa, no 13o Festival Internacional de Curtas
Metragens de Vila do Conde e <<EX>>,
2007, subsidiado pelo Instituto do Cinema, Audiovisual
e Multimédia – Ministério da
Cultura. No teatro destaca o espectáculo
com uma actriz e um sistema informático
são_precisos_2_para_dançar_a_valsa,
estreado no Festival da Juventude de Beja, em 2004
e Instantes – Devising a Movie, que combina
projecção vídeo e actuação
ao vivo, financiado pela Fundação
Calouste Gulbenkian e estreado em 2005 na Sala
Polivalente do Centro de Arte Moderna Azeredo Perdigão –FCG.
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