Teatro
do Vestido
(PT)
Carta - Oceano (residência
de criação)
A partir de textos de Blaise Cendrars
Direcção: Joana Craveiro
Textos: Joana Craveiro/ Gonçalo Alegria
Dramaturgia: Teatro do Vestido
Espaço Cénico: Gonçalo Alegria/
Joana Craveiro
Assistência de Encenação:
Maria Gil
Música e Ruído: Gonçalo
Alegria
Iluminação: Gonçalo Alegria
Interpretação: Tânia Guerreiro/
Gonçalo Alegria/ Joana Craveiro
Colaboração Criativa: Miguel Seabra
Lopes
Produção: Catarina dos Santos
5 a 12 de Agosto
Alvito
23 a 28 de Setembro
Évora
(Apresentação informal a 11 de Agosto)
Data de apresentação
28 de Setembro
Évora
Carta – Oceano
(rascunhos)
Apresentação de materiais e
ideias reunidos numa semana de residência
criativa no Alvito, na Horta do Padre, no âmbito
do Festival Escrita na Paisagem.
A partir da
vida e obra do poeta Blaise Cendrars, o Teatro
do Vestido está a construir
o espectáculo Cartas – Oceano.
Como parte do processo desenvolveu uma residência
criativa onde procurou conhecer novos lugares
e pessoas, e aprofundar a leitura dos poemas
de Blaise Cendrars. Uma viagem no Transiberiano,
um jantar com os seus sete tios desaparecidos
ou desconhecidos, uma récita de cartas–oceano
escritas sob o céu alentejano, a apresentação
informal de materiais é como uma manta
de retalhos ainda em construção.
Carta – Oceano
A carta-oceano não é um novo
género poético
É uma mensagem prática de tarifa
regressiva e muito
mais barata do que um telegrama
É muito usada a bordo para fechar negócios
que não
se teve tempo de resolver antes da partida
e para dar as últimas
instruções
É ainda um mensageiro sentimental que
vem da minha
parte dar-vos os bons-dias entre duas escalas
tão afastadas
como Leixões e Dakar quando me sabem
no mar
por seis dias e não se espera receber
notícias minhas
Vou servir-me dela durante a travessia do Atlântico
Sul entre Dakar e Rio de Janeiro para enviar
mensagens
para trás porque só pode ser
utilizada neste sentido
A carta-oceano não foi inventada para
fazer poesia
Mas quando se viaja quando se negoceia quando
se
está a bordo quando se enviam cartas-oceano
Faz-se poesia
Blaise Cendrars in, Folhas de Viagem
Ficha
Técnica
criadores: Catarina dos Santos,
Gonçalo
Alegria, Inês Rosado,
Joana Craveiro, Maria Gil Miguel Seabra Lopes,
Tânia Guerreiro,
coordenação: Gonçalo
Alegria. Joana Craveiro
produção: Catarina
dos Santos
O que é o
Projecto Blaise?
Como o nome indica, o Projecto
Blaise pretende usar a vida e obra do escritor
e poeta suíço
Blaise Cendrars, para construir uma reflexão
acerca da viagem enquanto espaço de conhecimento
e deslocação mental, não
tanto física, como o próprio Blaise
Cendrars provou, nomeadamente na sua célebre
frase a propósito do seu longo poema Prosa
do Transiberiano:
“(…) Em 1934 Pierre Lazareff, jornalista
do Paris-Soir, perguntou ao autor da Prosa
do Transiberiano se ele tinha realmente
tomado o comboio. A pós um curto silêncio,
Blaise voltou-se para o jornalista e respondeu-lhe
enigmaticamente:
«Quest’ce que ça peut te faire,
puisque je vous l’ai fait prendre à tous!»”
Com
o trabalho de pesquisa e experimentação
a propósito desta obra, o Teatro do Vestido
irá construir uma espécie de um
manifesto teatral dos viajantes, que se desafiam
a sonhar, a desejar, a percorrer – que
deixam o conforto das suas casas pela insegurança
da viagem, que vêem na excitação
de um terminal de aeroporto a matéria
fervilhante para tocar e inspirar os corações
de um público cada vez mais sedento de
experiências teatrais de comunhão,
de reflexão e de partilha. Ou, pelo menos, é isso
que a nossa experiência nos diz. Tendo
produzido regularmente espectáculos ao
longo dos cinco anos anteriores, o Teatro do
Vestido desenvolveu e solidificou um público
que se encontra em permanente expansão,
talvez devido à iniciativas regulares
no espaço de trabalho da companhia, no
Hospital Júlio de Matos, que tem convocado
o público para iniciativas tão
variadas quanto: espectáculos teatrais,
leituras encenadas, apresentações
em duração (6 horas), apresentações
do trabalho em progresso, conversas, refeições,
partilhas várias.
Acreditamos que no acumular
da nossa experiência,
no refinar dos nossos processos e metodologias,
na solidificação da nossa equipa,
e no desenvolvimento de um programa pedagógico
que nos tem feito criar mais público e
desenvolver novos valores para o teatro em Portugal,
chegou agora o tempo de adaptar uma obra tão
rica, tão vasta e tão profunda,
quanto a deste poeta.
O Projecto Blaise é, portanto, uma aventura
através da vida e obra de Blaise Cendrars,
combinada com as nossas próprias experiências
pessoais, e apoiada numa profunda pesquisa realizada
por todos os membros da companhia, que contribuem
equitativamente para o desenvolvimento criativo
do projecto, como, aliás, é marca
da nossa identidade enquanto companhia.
1. Os textos de partida
O Projecto Blaise utilizará como
base principal os poemas, Páscoa em Nova Iorque,
Prosa do Transiberiano e O Panamá ou
as Aventuras dos meus Sete Tios, de Blaise
Cendrars. Apoiados numa forte pesquisa acerca
da vida e da restante obra do autor, o Teatro
do Vestido, através dos métodos dramatúrgicos
que o caracterizam, irá proceder a uma
adaptação, colagem e criação
de todos os materiais, combinados com antigos
e novos materiais da companhia a propósito
de viagens, um tema sobre o qual temos vindo
a reflectir ao longo de cinco anos de existência
e criação.
2. Outros materiais
Os materiais utilizados para
a construção
do Projecto Blaise serão fruto de, para
além da pesquisa, do que se passará nas
improvisações no decurso dos ensaios,
como é característico do processo
do Teatro do Vestido. O texto final será assinado
por Joana Craveiro e Gonçalo Alegria,
a partir da colaboração de todos.
Na eventualidade de serem realizadas residências
de criação, estas serão
fulcrais no desenvolvimento dos materiais dramatúrgicos,
articulados de perto com a recolha junto das
populações que nos acolherem nas
suas terras, com as relações humanas
que desenvolvermos, com as experiências
que trocarmos. Mais uma vez, ao encararmos o
teatro cada vez mais como uma experiência
de comunhão com o público, temos
vindo a abrir progressivamente de forma mais
declarada os nossos processos ao nosso público,
convocando-o não só para o objecto
acabado [será que existe isso?], mas para
o fazer do objecto, o esculpir/moldar/construir
e destruir dos materiais. Com este novo projecto
queríamos ir ainda mais longe neste aspecto,
criando uma metodologia de trabalho que se apoie
nesta comunicação com o público
nos diversos níveis de desenvolvimento
do processo.
Teatro do Vestido – Breve Histórico
Companhia
fundada em 2001, em Lisboa, por uma equipa pluridisciplinar
que pretendia construir os seus próprios textos teatrais bem como
todos os materiais de cena. A companhia desenvolveu-se
e solidificou-se ao longo dos seus cinco anos
de actividade, tendo desde Abril de 2006 um espaço
de trabalho permanente no Pavilhão 27
do Hospital Júlio de Matos, em Lisboa,
onde tem desenvolvido uma actividade regular
e diversificada. A companhia realizou ainda trabalho
internacional, em Glasgow, na Escócia
e em São Paulo, no Brasil, e tem partilhado
os seus métodos de trabalho em workshops,
intercâmbios e no programa pedagógico
permanente Zonas, que desenvolve desde Outubro
de 2006 no Hospital Júlio de Matos.
Espectáculos
realizados:
2001: Tua, de Joana
Craveiro e Susana Gonçalves – ZDB
e Casa Conveniente, Lisboa.
2002: Skyscapes – todas as direcções,
de Joana Craveiro e Susana Gonçalves -
Lugar-Comum, Fábrica da Pólvora,
Barcarena.
Lugar Nenhum, de Joana Craveiro, CAPa,
Faro; CENTA, Vila Velha de Ródão; Tucarena,
PUC – São Paulo, Brasil (2005)
2003/
2004: Cinzento/Grey, de Joana Craveiro – Lugar-Comum,
Fábrica da Pólvora, Barcarena;
CENTA, Vila Velha de Ródão; Tron
Theatre, Glasgow.
2005: Exaustos, de Joana Craveiro – 3º Andar
no Chiado, Lisboa; Hospital Júlio de Matos,
Lisboa (2006)
3 Elvira 3, de Joana Craveiro – Tucarena,
PUC – São Paulo, Brasil.
2006: Walden,
de Joana Craveiro, a partir de Henry David Thoreau – Lugar-Comum, Fábrica
da Pólvora, Barcarena; Hospital Júlio
de Matos, Lisboa; Festival Sonda, Caldas da Rainha;
Festival Escrita na Paisagem, Colos, Odemira.
Nunca Serei Bom Rapaz, a partir das
cartas de prisão de George Jackson – Lugar-Comum,
Fábrica da Pólvora, Barcarena;
Hospital Júlio de Matos, Lisboa.
Outros Projectos:
2005: “Construção de
um mundo novo” – Workshop de partilha
de métodos de trabalho – Tucarena,
PUC, São Paulo, Brasil
.2006: “Leituras nas 3as 4as feiras de
cada mês” – Leituras encenadas
de diversos autores, Hospital Júlio de
Matos, Lisboa
Zona 0 – Workshop sobre memória,
consciência do actor e utilização
de si em cena; Hospital Júlio de Matos,
Lisboa.
Projecto Zonas: Projecto pedagógico de
interpretação em módulos
de 3 meses; Hospital Júlio de Matos, Lisboa.
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Liberto Cruz, em Blaise Cendrars, Poesia em
Viagem, Assírio & Alvim, Lisboa, 2005.
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