
FESTIVAL 2008

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Os Andamentos (integrados no
Festival desde a sua primeira edição)
são unidades
de investigação / criação
que constituem uma moldura privilegiada de exploração
e reflexão sobre a paisagem, podendo dar ou
não ocasião a uma apresentação
formal ou à exibição de objectos.
Privilegiando jovens criadores, os Andamentos deste
ano envolvem um artista plástico (Bruno Caracol),
uma performer (Joana Cavaco) e um colectivo de jovens
artistas visuais e performativos (Richard Long, estrutura
de arte performativa). No conjunto, com uma moldura
de tempo flexível, será uma oportunidade
para explorar com outros olhos a paisagem e a casa
que a domina.
O céu vos cumpra
os desejos vossos
Bruno Caracol
PT
Desenvolve um projecto de itinerância que visa
a sinalização de uma rota de caminhos
que evidenciem o sentimento de pertença e
de presença da comunidade cigana, espalhada
por toda a região do Alentejo.
Com o material recolhido (objectos, cartas, histórias),
Bruno Caracol organiza uma espécie de casa
de recordações e histórias desta
comunidade. Trata-se de uma aproximação
ao interior da casa nómada cigana, objecto
presente e movente na nossa paisagem. Andar na memória
Joana Cavaco
PT
Este projecto tem como principal objectivo a descoberta
de novos caminhos escritos, musicais e outros que
ao longo do trabalho nos apareçam como possíveis
instrumentos na construção de memórias
inventadas.
Caminhos esses que pretendemos percorrer em conjunto
e passando por várias fases de trabalho. Primeiramente
queremos ocupar uma casa. Queremos ocupar uma casa
com as memórias que essa casa tem dentro de
nós. Queremos construir memórias na
casa que são nossas mas ao mesmo tempo da
casa. Depois queremos construir a partir dessas memórias
uma memória viva.
“Imaginar é ausentar-se, é lançar-se a uma vida
nova”
Gaston Bachelard
A casa (alentejana)
Colectivo Richard Long
PT
A casa no Alentejo... é a casa isolada o Monte
Alentejano, isolada mas rodeada de outros, que são
outras famílias, que são no fundo a
nossa família. Recordo-me de vir à empena
do monte e chamar pela “ti Tóina”,
a vizinha do monte mais próximo, de ouvi-la
na resposta do meu eco pelos montes. Ela respondia-me Úúuuuu,
e a conversa continuava. Das noites de histórias
debaixo da chaminé a olhar o lume... Do meu
avô à empena sentado no tronco que havia
sobrado do conserto do telhado... a cantarolar: Ó minha
Mãe, minha Amada, quem tem uma Mãe
tem tudo, quem não tem Mãe não
tem nada... e das nossas conversas. Do sonho da minha
avó de ganhar o totoloto e fazer um furo,
para ter água no monte, sem ter de se deslocar
ao poço na horta e carregar a água
para casa.
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