
FESTIVAL 2008

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Dans mes bras
L’Attraction Céleste
FR
Circo Parque Urbano, Montemor-o-Novo
1 de Agosto
21h30 e 23h
Vimieiro (Arraiolos)
3 de Agosto
21h30 e 23h
Duração do espectáculo: 50
minutos
Duas sessões diárias
Lotação: 50
lugares
Todas as Idades
Bilheteira: 2,5€
L’Attraction Céleste são Servane
Guittier e Antoine Manceau
L’Attraction Céleste é uma
companhia francesa constituída por dois
actores, Servane Guittier e Antoine Manceau. Em Dans
mes Bras, trabalham no interior de um pequeno
chapitô (com lugar para 50 espectadores)
a relação da arte circense com o handicap e
o acidente. Sem recurso à narração,
o diálogo que se estabelece com o espectador
sustenta-se sobretudo na música e numa corporalidade
simultaneamente doce e cruel. Uma espantosa revisitação
do universo da baraque de foire, do Barnum
Circus e do freak show, terna e tensa,
trágica e cómica, grotesca e sublime.
A
companhia e o espectáculo
Depois de mais de 10 anos a trabalhar em companhias
muito diversas (música, teatro, circo,...),
a L’Attraction Celeste é a nossa
expressão, testemunho, um concentrado
de nós, nosso: Servane Guittier música
(canto, acordeão, trompete, serra musical...)
comediante, e Antoine Manceau, músico
(clarinetista) e comediante.
Para lá da referência ao imaginário
que alimenta a nossa criação, L’Attraction
Celeste mergulha as suas raízes nas barracas
das atracções de feira: gostamos
da proximidade, do espectáculo popular e,
sobretudo, gostamos de “fenómenos”:
esses seres humanos anormais, atípicos,
originais e terrivelmente belos. É certamente
por amor à tolerância que nos ligamos
a estes “monstros”, é certamente
porque o handicap tocou a nossa pequena
família que queremos hoje falar disso, de
anormalidade. Será esta a linha condutora
do nosso trabalho futuro? É possível,
isto não é senão o principio,
que se intitula Dans mes bras. Para este
projecto concebemos um lugar que funciona quer
como barraca de feira quer como chapitô:
uma barraca circular, de 7 metros de diâmetro,
envolta por uma cobertura de chapitô assente
numa tenda tipo yourte mongol. Ao centro,
uma pista de 3 metros de diâmetro; em redor,
bancos para umas cinquenta de pessoas: um lugar
intimista e caloroso, proporcionando ao público
uma relação privilegiada.
Fomos muito auxiliados pelo talentoso e luminoso
encenador Patrick Masset, com quem já trabalhámos,
na Companhia Vent d’Autan. A sua sensibilidade,
a concepção da encenação
e da escrita teatral interessam-nos e correspondem
aos nossos desejos. Além da proximidade
com o público, desejamos desenvolver um
universo simples e sem artifícios, quer
no jogo de actor, quer na utilização
da iluminação ou do som: não
há amplificação dos instrumentos,
usamos luzes ‘domésticas’ manipuladas
por nós, (quase) nada de acessórios,
figurinos simples (de Catherine Manceau, jovem
costureira promissora, de cuja estética
gostamos). O nosso universo: um circo de feira,
musical e intimista.
Scalisi sobre L’Attraction Céleste:
Numa
pequena tenda, onde a relação
entre a cena e os espectadores se mistura numa
intimidade cúmplice, assisti a alguns milagres,
para quem ainda acredita em milagres – e
eu ainda acredito nos milagres da arte. Milagres
que falam de poesia, de música, de um novo
circo / antigo, de um rir que se transforma em
lágrimas e sobretudo de diversidade, de
anormalidade, de monstros / fenómenos e
de deficiência.
Raras vezes fui assim transportado, com uma simplicidade
tão desarmante, para conhecer estados de
alma opostos – o rir que se transforma
em lágrimas – com uma sensação
de vertigem que faz sentir a falta da terra debaixo
dos pés e que nos torna tão frágeis
e próximos do que é diferente, da
deficiência.
Um espectáculo corajoso, sensível
e poético para quem ainda acredita nos milagres
da arte.
Giacomo Scalisi
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