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Paulo Raposo e Ana Pais
Guillermo Gómez-Peña:
a arte de diluir fronteiras
Mexicano residente na Califórnia (EUA) desde
1978, Guillermo Gómez-Peña (GGP) é um
dos mais célebres nomes da performance
art, mundialmente reconhecido sobretudo a partir
da década de 90. Num dos seus diários
de performance (1995), GGP definiu como objectivo
cívico dos projectos artísticos da
sua estrutura La Pocha Nostra a criação
de “comunidades efémeras de artistas,
técnicos e activistas”. No essencial,
este conceito de comunidade evidencia o aspecto colaborativo
e transitório dos seus trabalhos, que conta
com um núcleo duro relativamente flutuante
(Roberto Sifuentes, Sara Shelton-Mann, Coco Fusco,
entre outros). Primando pela transdisciplinariedade,
as colaborações envolvem inevitavelmente
conversas, negociações, consensos.
Neste sentido, a comunidade efémera de cada
projecto traduz uma clara atitude perante a arte – para
GGP, a arte é uma forma de intervir no mundo,
de testar possibilidades de tolerância e encontro
num microcosmos, acreditando que o encontro se pode
estender ao macrocosmos social e político.
Note-se, por exemplo, o impacte que a sua obra tem
tido na vida académica, tendo participado
em conferências, publicado livros e constando,
invariavelmente, em bibliografias de workshops sobre
performance e rituais. Mas claramente, esta intervenção é de
natureza política e ideológica definindo
a sua intervenção artística
como um modelo de democracia radical.
Este
modelo de intervenção é também
o de induzir uma certa vertigem cultural ou, mais
precisamente, intercultural. Lidando com uma identidade
cultural prolixamente simbólica e paradoxalmente
ambígua (como afinal são todas as identidades) – neste
caso, a latinidade, a chicanidade,
a americanidade sulista, entre
outras – o fascínio pela performance
do Outro perante audiências “euro-americanas
e brancas” tem sido o mote orientador do trabalho
deste grupo. Na tentativa de criar meta-comentários
irónicos sobre o Ocidente, e em particular
os EUA, em clara articulação satírica
em torno dos fantasmas e mitos que sobre os mexicanos
se vão criando (fora e dentro do México),
GGP e La Pocha Nostra acabam por contribuir para
a desconstrução da identidade do Outro do
mesmo modo que, noutras latitudes, Edward Said fez
com o orientalismo. Emblemático a
este nível foi a célebre performance «Two
Undiscovered Amerindians» realizada por Gomez-Peña
e Coco Fusco, na Plaza Cólon em Madrid em
1992, numa alusão crítica às
comemorações da Descoberta da América.
Mas o circuito não se fecha apenas neste
diálogo intercultural de sublinhado político-ideológico,
GGP propõe ainda uma espécie de provocação
migratória permanente – talvez em função
da sua própria condição de (artista)
migrante. Este traço reforça a ideia
de construção híbrida das comunidades
migrantes, mas também das identidades que
se deixam para trás nos lugares de origem.
O seu projecto artístico é decalcado
da border zone, eminentemente pós-colonial,
que é a relação entre México
e EUA. E esse lugar é o locus da
actividade performativa de GGP: a “Guillermolandia” como
sugeria Lisa Wolford, uma colaboradora e investigadora
da sua obra, é um território que privilegia
o hibridismo e que questiona os limites da identidade
e da comunidade, enquanto pilares da constituição
do Eu e do Outro.
A comunidade transporta ainda uma noção
de pertença e exclusão, associada aos
conceitos de fronteira e identidade, fulcrais no
actual mundo globalizado e pós-colonial. Por
isso, muitos artistas contemporâneos nos habituaram
a obras que interrogam, justamente, estes conceitos.
GGP é um deles. Todo o seu trabalho articula-se
em função da decomposição
e reorganização da ideia de fronteira
identitária e artística, resultando
numa linguagem estética caracterizada por
jogos irónicos, contextos ritualistas e produtora
de hibridismos a vários níveis: misturando
elementos iconográficos da cultura mexicana
com a americana (personas etno-cyborgs),
de religiões e folklore, de géneros
e sexos, criando um dialecto ou uma síntese
intercultural improvável, ao fundir palavras
espanholas com inglesas (o spanglish).
Não só ao nível dos conteúdos
e das imagens, mas também do ponto de vista
formal, a figura de fronteira sobressai. Ela emblematiza
e é palavra-chave no trabalho de GGP, particularmente,
no tocante à incorporação de
novas tecnologias, utilizadas sempre criticamente
nas suas performances, em tensão com a situação
cerimonial em que elas têm lugar – no
que classifica como uma espécie de ethno-techno
art. Nelas, finalmente, é crucial a relação
entre cena e público: a tradicional fronteira
entre ambos dilui-se em formas de participação
e colocação no espaço, reunindo
espectadores e artistas numa comunidade, também
ela efémera.
+
Paulo Raposo
Doutorado em Antropologia
pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho
e da Empresa (ISCTE). É docente no Departamento de Antropologia do ISCTE
desde 1990. Actualmente é Professor Auxiliar do ISCTE e Professor convidado
da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa. É Presidente da Direcção
do Centro de Estudos de Antropologia Social (CEAS/ISCTE), membro da Comissão
Editorial da revista Etnográfica e colaborador do Jornal A
Página. Teve também formação de actor e actuou
como actor profissional, assistente de encenação, músico
e produtor musical durante alguns anos em diversos grupos teatrais de Lisboa.
Realizou várias investigações de terreno em Portugal trabalhando
sobre temáticas como o corpo, ritual, educação e mais recentemente
na área das performances culturais. Publicou a sua pesquisa em várias
revistas da especialidade e em diversos livros, nacionais e estrangeiros. Actualmente
os interesses de pesquisa situam-se no campo da performance e ritual e da antropologia
do turismo. Coordena e orienta também pesquisas no domínio das
migrações em Portugal.
Ana Pais
Licenciada em Línguas
e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa, obteve
o grau de Mestre em Estudos de Teatro, em 2002, atribuído
pela mesma Universidade. A sua tese veio a lume pelas Edições Colibi
sob o título O Discurso da Cumplicidade.
Dramaturgias Contemporâneas (2004), com
prefácio de André Lepecki .Como crítica
de teatro, tem colaborado com vários
jornais, designadamente, com o Público (2002)e
com o semanário Expresso (2003) e,
presentemente, escreve para o Sol. Foi membro
do júri do Prémio da Crítica,
iniciativa da Associação de Críticos
de Teatro, nas edições de 2003, 2006
e 2007. Colabora ainda com a revista do Centro
de Estudos de Teatro, a Sinais de Cena. Actualmente,
lecciona na Escola Superior de Teatro e Cinema

O que é a Pocha Nostra
Manifesto-sempre-em-evolução
de La Pocha Nostra
(2004. Revisto em Maio de 2008)
Guillermo Gómez-Peña e Rachel Rodgers,
com contributos de Roberto Sifuentes e outros membros
da Pocha Nostra.
Em 1993, Guillermo Gómez-Peña, Roberto
Sifuentes e Nola Mariano fundaram La Pocha Nostra em Los
Angeles, California. O seu objectivo era conceptualizar formalmente
as colaborações de Gómez-Peña
com outros performers. Em 1995, a sede de
La Pocha mudou-se para San Francisco, onde tem permanecido
nos últimos 13 anos. Em 2001, La Pocha conseguiu
completar o processo que lhe permitiu constituir-se como
sociedade, tornando-se uma organização sem
fins lucrativos. Assutador! (Em Maio de 2008, constavam como
membros os performers Gómez-Peña, Sifuentes,
Violeta Luna, Michele Ceballos, Rakini Devi, Maria Estrada,
Jade Persis Maravala e Rachel Rogers; os curadores Gabriela
Salgado e Orlando Britto; os promotores culturais Nola Mariano,
Elisabeth Beiard e Emma Tramposch; a “cyber Queen” Suzanne
Stephanac e mais de 30 colaboradores em todo o mundo, como
o México, a Espanha, os EUA e a Austrália).
Os projectos vão desde solos performativos até instalações
perfomativas de larga escala, que incluem vídeo, fotografia,
som e “cyber-art”. Os workshops envolvendo artistas
locais são parte integrante de quase todos os projectos.
Com este manifesto, esperamos sinceramente inspirar os nossos
colegas de várias disciplinas e nações
a desenvolver modelos e métodos semelhantes. Estejam à vontade
para reproduzir qualquer uma das ideias que se seguem, da
mesma forma que nós as tomámos a outros.
La Pocha Nostra é uma “organização
transdisciplinar”, sempre em transformação.
Sedeada em San Francisco, com extensões noutros países e cidade,
os nossos objectivos estatutários estabelecem: “Constituir um centro
(e fórum) para uma rede alargada de artistas rebeldes, oriundos de diversas
disciplinas, gerações e etnias”. O nosso denominador
comum é o nosso desejo de transpor e apagar as perigosas fronteiras que
se colocam entre a arte e a política, a prática e a teoria, o artista
e o espectador, o mentor e o aprendiz. Esforçamo-nos por erradicar
mitos puritanos e dissolver as fronteiras que envolvem a cultura, a etnicidade,
o género, a linguagem e a profissão. Infelizmente, hoje em dia,
estes actos ainda são considerados radicais.
La Pocha estabelece colaborações ultrapassando
fronteiras nacionais, de raça, de género e
de geração.
O nosso modelo de colaboração funciona simultaneamente como acto
de diplomacia cidadã e como forma de criar “comunidades efémeras” de
rebeldes com mentes semelhantes. Funcionamos mais como um “laboratório” conceptual — uma
associação alargada de artistas rebeldes que reflectem em conjunto,
trocam ideias e sonhos. A premissa básica destas colaborações é fundada
num ideal: Se aprendermos a ultrapassar fronteiras no palco, numa galeria ou
num museu, aprenderemos como fazê-lo nas largas esferas sociais. Esperemos
que outros sejam desafiados a fazer o mesmo.
La Pocha Nostra é uma “maquiladora” virtual, uma
linha de montagem conceptual que produz metáforas,
símbolos, imagens e palavras completamente novas para
explicar a complexidade do nosso tempo. O
neologismo hispano-inglês ‘Pocha Nostra’ traduz-se
ora como as “nossas impurezas”, ora “o
cartel de bastardos culturais.” Adoramos esta ambiguidade
poética, que revela uma atitude face à arte
e à sociedade: “Trans-racial, poli-genérica,
experi-mental e quê?”*
La Pocha foi criada a partir da nossa necessidade
de sobreviver como artistas Chicanos/Latinos num Mundo da
Arte racista. Permanece como um facto que os Chicanos
e outros “artistas de cor”, bem como, aqueles
que trabalham à margem, não gozam do apoio
necessário por parte da vanguarda anglófona.
Assim, vemo-nos obrigados a responder com complexidade e
imaginação, a esta endémica falta de
apoios e de acesso. O
nosso mote é: quando não tens acesso ao poder,
a poesia substitui a ciência e a performance converte-se
na tua política.
La Pocha Nostra morreu e foi ressuscitada dúzias
de vezes. Foi uma companhia de performance de
garagem, uma pequena apresentação experimental,
um museu vivo interactivo e um gabinete de curiosidades,
um inteligente clube nocturno, um espectáculo de
moda radical politizado e um corpo nu deitado numa mesa
de operações. La Pocha também actuou
como uma “clínica de performance”, uma
escola radical, uma festa urbana, uma rave “inteligente”,
e um centro de recursos virtuais. La Pocha age frequentemente
como um Cavalo de Tróia: uma instituição
de acolhimento pode convidar dois ou três artistas,
mas nós trazemos um grupo de mais dez ou vinte e
integramo-los no processo. La Pocha é isto e aquilo
e tudo o que estiver no meio – sentimo-nos bem com
a nossa ‘alteridade’ e ostentamo-la.
La Pocha desafia a tradicional mitologia do mundo
da arte, do 'Artiste' como um boémio
sofredor e génio incompreendido. Os artista de La
Pocha são críticos sociais e cronistas, diplomatas
inter-culturais, tradutores/traidores+,
pedagogos radicais, provedores informais, piratas dos média,
arquitectos de informação, antropólogos
do avesso, linguistas experimentais e investigadores de
semiótica marginais. Para nós, o artista é,
acima de tudo, um cidadão activo, mergulhado nos
grandes debates do nosso tempo. O nosso lugar é no
mundo real e não apenas no “Mundo da Arte”.
O Mundo da Arte é só um espaço de
reunião e ensaio.
La Pocha é, por natureza, anti-essentialista
e anti-nacionalista. Advogamos uma posição
extremamente impopular nos EUA pós-11 de Setembro: “Não à pátria;
não ao medo; não às fronteiras; não
ao patriotismo; não ao estado-nação;
não à ideologia; não à censura.” Somos “matriotas”,
não patriotas, “Americanos” no sentido
literal do termo, devotados à terra e não
aos seus governantes. Empenhados em apresentar uma América
poli-cultural e hibrida – uma perspectiva internacionalista,
humanista e progressista, que não corresponde em
nada aos unilateralismo norte-americano, à doutrina
Bush ou ao Acto Patriótico. A nossa América
ainda é uma sociedade aberta com fronteiras permeáveis
e comunidades transnacionais; a nossa América não é “Vermelha” nem “Azul”; é castanha,
preta, amarela, cor-de-rosa, verde e transparente. Sempre.
La Pocha é uma comunidade sempre em mudança. Pocha
pode ser duas pessoas ou cinquenta. ‘Ça
depend’. Criamos forças de trabalho
regeneradoras, construídas a partir de círculos
concêntricos e sobrepostos, provisórios e
dinâmicos O circulo interior compreende entre quatro
a seis artistas e investigadores cuja filiação é determinada
pelo seu grau e tempo de disponibilidade. O circulo seguinte
inclui performers, curadores, músicos, realizadores,
e designers, que trabalham a tempo parcial em vários
projectos da Pocha. Os círculos exteriores e sobrepostos
de artistas associados, teóricos e produtores encontram-se
espalhados pelo mundo e podem colaborar num projecto se
surgir uma oportinidade. A constante entrada e saída
de membros altera inevitavelmente a natureza do trabalho
e contribui para o permanente processo de reinvenção.
(Infelizmente a permanente reinvenção e a
multi-dimensionalidade sempre em mudança impede
a sustentabilidade – talvez nos agarremos a elas
inconscientemente, como antídoto contra o risco
de institucionalização?)
La Pocha funciona através de um sistema de
crenças aberto. Confiamos profundamente na
ideia de que a consciência é estimulada através
de formatos de apresentação não convencionais.
Deste modo, vemos a performance como um catalizador efectivo
para o pensamento e debate que, finalmente, encoraja o diálogo
público. Através de combinações sui-generis de
linguagens artísticas, meios e formatos performativos,
exploramos o interface da migração,das identidades
hibridas, das culturas de fronteira, da má-globalização
e das novas tecnologias.
La Pocha encoraja o diálogo público. Esperamos
que os formatos dos nossos rituais-performativos sejam
menos impositivos e estáticos que aqueles que vemos
na academia, religião, cultura pop e política. Desafiamos
constantemente os teóricos e os activistas a serem
mais performativos e os artistas a explorarem caminhos
intelectuais. Na maior parte das vezes resulta. De vez
em quando, geramos um monstro, mas isso também é bom.
La Pocha encoraja o diálogo interno. Os
nossos ensaios e workshops, as reuniões semanais dos
membros e os encontros internacionais trimestrais compreendem
sempre intensas discussões sobre assuntos da actualidade.
Nestes encontros exploramos novas formas de pensar a arte
e a comunidade, o alcance da multi-comunidade e o desenvolvimento
de novos públicos. Privilegiamos as possibilidades
teóricas e metodológicas da performance para
abordarmos a transformação do papel do artista
na sociedade.
A pedagogia da performance de La Pocha desempenha
um papel fundamental na nossa praxis política. Como?
Desafiando hierarquias autoritárias e conhecimento
especializado, através da criação de
espaços utópicos temporários onde o
diálogo interdisciplinar e a imaginação
artística possam florescer. Estes espaços utópicos
são enquadrados, mas não contidos, por um conjunto
de ideias organizadas em pentágono, cujos vértices
são: comunidade, educação, activismo
político, novas tecnologias e estética experimental.
Todos os projectos por nós coordenados são
enquadrados, genericamente, por estes parâmetros.
La Pocha procura uma estética única. Funcionando
como uma espécie de “aglomerado trans-cultural
ao vivo”, o nosso “robô-barroco” e a
nossa “estética etno-tecno-canibal” experimenta
e devora tudo o que encontra: culturas de fronteira e Chicano
pop; TV; filmes; rock & roll; hip-hop; banda-desenhada;
jornalismo; antropologia; pornografia; imaginário
religioso e, claro, a história das artes visuais
e performativas. Cruzamos estas informações,
incorporamo-las e, então, re-interpretamo-las para
um público ao vivo, refractando, assim, as
construções estereotipadas da alteridade
através do espectáculo das nossas identidades “engrandecidas” e
dos nosso corpos altamente ornamentados. Neste sentido,
somos ciborgues culturais e de informação.
A praxis estética de La Pocha envolve a deformação
de etnias e géneros, o travestimento cultural e as
inversões de poder. Muitas das nossas imagens
mostram mulheres, gays, lésbicas, transsexuais ou
pessoas “de cor” em posições de
controlo. No nosso mundo, as fronteiras culturais foram
deslocadas para o centro da cena, enquanto que o alegado “mainstream” é empurrado
para a margem e tratado como exótico e estranho. Colocamos
o espectador / observador / leitor na posição
do “estrangeiro” ou da “minoria”.
No nosso mundo, a hibridação é a/o única/o
Nação/Estado. Parece pesado, mas é,
de facto, muito divertido.
La Pocha é um poltergeist intercultural, uma
festa intelectual, um sonho migrante que, de repente, se
converte num pesadelo, uma infecção internacional,
a encarnação de um poema épico, uma
religião pagã localizada dentro do corpo,
um bando de ciborgues disfuncionais e de amigos extremamente
empenhados.
La Pocha atravessa perigosas fronteiras estéticas. É frequente
cedermos tanto a nossa proposta como o palco ao público.
Convidamos os espectadores a co-criarem a peça e a
participarem nos nossos “jogos performativos radicais”,
nos quais se escondem insinuações pós-colonias,
acções tão enraizadas no quotidiano
de colonizadores e colonizados, que já ninguém
se apercebe delas, a menos que estas lhes sejam colocadas à frente
dos olhos. Transformamos os espectadores em performers momentâneos.
Estes jogos são parte integrante do nosso trabalho.
La Pocha é um arquivo sempre-em-crescimento.
A colecção de La Pocha inclui milhares de fotografias,
vídeos, livros, revistas, bandas sonoras, documentos,
adereços e figurinos. Metade dos nossos artigos estão
em São Francisco; a outra metade está na Cidade
do México. Infelizmente, nunca tivemos suficientes
mãos, espaço, armazéns ou dinheiro para
completar a tarefa de tornar o nosso arquivo acessível
a outros. Estamos, neste momento, a converter os nossos arquivos
vídeo de performance numa série de DVD’s
educativos e o nosso arquivo fotográfico numa apresentação
PowerPoint.
La Pocha é, acima de tudo, uma ideia utópica. A
nossa ‘utopia’ é um marco político,
um rumo filosófico e um caminho que frequentemente
perdemos de vista. Infelizmente, os nossos egos frágeis
e as nossas dificuldades financeiras fazem-nos desanimar
e, por momentos, esquecemos os nossos objectivos. Uma das
responsabilidades dos membros da Pocha é inspirarem-se
uns aos outros para reencontrarem a sua força e clarividência.
A ser continuado… por outros
* “Cross-racial,
poly-gendered, experi-mental, y que?”
+ Como
na expressão italiana tradutore / tradittore.
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