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Ding Dong
Nuno Vasa
Instalação
Paço dos Alcaides,
Castelo de Montemor-o-Novo
Nuno Vasa parte da ideia de que todos os espaços
são povoados pelo constrangimento de “presenças” —sejam
os “fantasmas” da História ou os visitantes
que, agora, se passeiam por um espaço “arruinado”— para
instalar no Paço dos Alcaides do Castelo de Monte
Mor o Novo uma instalação que explora os
limites do sentimento de ocupação num espaço
visivelmente abandonado. É ao espectador que cabe
confrontar esse abandono...
“Visitar” a obra de Nuno Vasa é entrar numa verdadeira cartografia
do improvável. [...] Uma das características mais marcantes das
propostas de Vasa será, também, a forma como a significação
das suas peças depende da relação imediata e directa que
estas estabelecem com o espectador que as “vive” e experimenta.
A dinâmica “dialógica” (ou de confronto...) que o
trabalho de Vasa impõe convoca, assim, de modo constante, a transformação
do espectador numa espécie de “extensão humana”,
necessária ao desvelamento dos significados veiculados pela própria
obra de arte. [...]
Ding Dong, a intervenção proposta por Nuno Vasa para
o Paço dos Alcaides do Castelo de Monte Mor o Novo, será o claro
exemplo (aliás como tem sido apanágio deste criador) de uma abordagem
orientada para a afirmação de uma expressão fora dos limites
da convencionalidade e para a exploração de um novo “lugar” do
improvável.
Toda a dimensão performativa da sua obra se centra
nas relações estabelecidas entre Sujeito/Espaço
e Presença/Ausência. A efectivação
discursiva da própria instalação
dependerá do gatilho que a “passagem” do
espectador despoletará. Sem o vestígio
da presença, não existe qualquer significado
e a obra permanece no esquecimento, acabando por perecer
e se transformar, também, numa ruína.
Esta intervenção de Vasa pretende sobretudo
criar aquilo que poderia ser definido como um “lugar
de suspensão” – um espaço onde
Passado, Presente e Futuro interagem de forma tensional.
O espectador, através da relação
que vai estabelecer com esta obra, será obrigado
a confrontar-se, em regime de simultaneidade, com a consciência
da erosão provocada pela passagem do “Tempo” (espaço
em ruínas) e a constante expectativa de uma possível,
mas muito improvável presença física.
Em última análise, não existem “casas” desabitadas.
Quanto à hospitalidade? Todos desejamos ser bem
recebidos, mas para isso há que tocar à campainha...
... Ding Dong...
Mário Verino Rosado
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