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floresta
Na floresta do alheamento
Poema Dramático de Fernando Pessoa

Ana Tamen (direcção)
PT
(Universidade de Évora)
Teatro
Convento do Carmo, Évora
3, 4 e 5 de Julho * 21h45


Duração: 2 horas (aprox.)
Classificação: M/16

Projecto teatral dos alunos finalistas da Licenciatura em Teatro da Universidade de Évora.
Direcção Ana Tamen
Multimédia Vítor Estudante e Ricardo Leandro
(No âmbito da disciplina de Múltimédia sob a direcção de António Carmelo no Departamento de Artes Visuais e Multimédia)
Assistente à Multimédia Vítor Estudante e Ricardo Leandro
Assistente de Encenação Marta Soares
Dramaturgia Rita Valente
Produção Mafalda Simões e Janine Martins
Iluminação Rita Costa
Montagem e Desenho de Luz Cláudia Medeiros, Ana Mota Ferreira,
Pedro Mendes, Catarina Caetano e Rita Costa
(No âmbito da disciplina ‘Desenho de Luz’ sob a direcção de Carlos Arroja)
Sonoplastia Rita Costa e Janine Martins
Figurinos Carmen Cangarato, Áurea Sousa e Melanie Salomão
Maquilhagem Áurea Sousa, Melanie Salomão
Música original Pedro Francisco*
Piano e acordeon Jorge Caeiro*
Clarinete Tiago Alves*
Viloncelo César Gonçalves*
Saxofone Fábio Monteiro*
Violino Ana Correia*
*Alunos do Departamento de Música da U.É.
Agradecimento Professor Christopher Bochmann

Todo o estado de alma é uma paisagem.
F. Pessoa

É de paisagem que se trata quando entramos n’A floresta do alheamento; uma viagem muito particular ao mundo sensacionista de Fernando Pessoa. ‘Sentir tudo de todas as maneiras’ a pedra de toque desta corrente, concebida por Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa, e que se tem mantido desde a sua fundação discreta como um ‘oued’, um daqueles rios subterrâneos do deserto, que emergem por momentos à superfície.

Descobrimos, com o emergir desta torrente, a visão que responde à nossa demanda: o teatro como experiência total, como laboratório de sensações, como veículo de descoberta, numa viagem de ‘vaivém’, ao interior e exterior profundos, do Eu e do Outro.

A floresta do alheamento foi para nós uma floresta virgem que desbravámos, onde nos perdemos e por fim, esperamos que convosco, neste exercício/espectáculo, acabemos por nos  encontrar.

Ana Tamen

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Textos de apoio dramatúrgico
Pensar é limitar. Raciocinar é excluir. Há momentos em que é bom pensar, porque há momentos em que é bom limitar e excluir.
[…]. Não pregues o bom nem o mal, nem a virtude nem o vício, nem a verdade nem o erro, nem a bondade nem a crueldade [Não pregues a virtude, porque todos quantos pregam, a pregam; não pregues o vicio, porque é o que todos praticam. Não pregues a verdade, porque não sabemos o que ela é; não pregues o erro, porque, a pregá-lo, estarás pregando uma verdade.] Prega-te a ti próprio, em altos gritos, ao mundo todo. Essa é a única verdade e o único erro, a única moralidade e a única imoralidade, …, que tens que pregar, que podes pregar, que deves pregar.
[Prega-te com assiduidade, escândalos e requinte. A única coisa que tu és, és tu. Sê-o como um pavão; sê-o à larga, às mãos cheias sobre Outrem.

Faze da tua alma uma metafísica, uma ética e uma estética. Substitui-te a Deus indecorosamente. É a única atitude realmente religiosa. (Deus está em toda a parte excepto em si próprio.)
Faze do teu ser uma religião ateísta, das tuas sensações um rito e um culto.]
Substitui-te sempre a ti próprio. Tu não és bastante para ti. Sê sempre imprevisto para ti próprio. Acontece-te perante ti próprio. Que as tuas sensações sejam meros acasos, aventuras que te aconteceram… Deves ser um universo sem leis para poderes ser superior.
[Viver não é preciso. Sentir é que é preciso. Nota bem que esta frase é inteiramente absurda. Dedica-te a não a compreender com toda a tua alma.]
São estes os princípios fundamentais do sensacionismo. Os princípios contrários são também os princípios fundamentais do sensacionismo.
Fernando Pessoa. “O Sensacionismo”, in Prosa íntima e de Autoconhecimento.

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
[…] Metafísica? Que metafísica têm as árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber o que não sabem?
Alberto Caeiro/Fernando Pessoa. O Guardador de Rebanhos

Um ciborgue é um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, simultaneamente uma criatura com realidade social e uma criatura de ficção. A realidade social são as relações sociais "realmente vividas, a nossa construção política mais importante, uma ficção capaz de transformar o mundo." O ciborgue é um produto da ficção e da experiência vivida …

[…]

E nós exigimos regeneração, não renascimento, e as possibilidades da nossa reconstituição incluem o sonho utópico da esperança num mundo monstruoso sem género. […] Não se trata apenas de reconhecer que a ciência e a tecnologia são vias possíveis para obtenção de grande satisfação humana e também matriz de complexas dominações. A imagética ciborgue pode apontar um caminho para sairmos do labirinto de dualismos em que explicámos a nós mesmas os nossos corpos e as nossas ferramentas. Este sonho não é um sonho de uma língua comum, mas de uma poderosa e infiel heteroglosia. […] Significa, simultaneamente, construir e destruir máquinas, identidades, relações e histórias espaciais.
Donna Haraway. [...] The Reinventation of Nature [trad. Ana Maria Chaves].

…O Pós-modernismo não coloca entre parêntesis, nem suspende o referente, mas trabalha no sentido de problematizar a actividade de referência” (Owens op. cit. apud Carvalho, 2007: 104) Ou seja, um trabalho sobre a ligação significante-significado [e destes com o referente], enfatizando a arbitrariedade do signo e a possibilidade de múltiplas ligações (distintas das socialmente determinadas) entre significante-significado [e referente]; assim, a arte pós-moderna, caracteriza-se por ser extremamente eclética, provocando a dissolução de distinções entre estéticas e géneros e tomando como estratégias próprias “a apropriação, a instalação, a impermanência, a acumulação, a discursividade e a hibridação.
Margarida Carvalho. Híbridos Tecnológicos



 

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