
FESTIVAL 2009
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DETALHES
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Escola
de Verão Tornar o corpo ‘todo
olhos’
Corpo, respiração, activação
e performance Phillip Zarrilli (UK)
Formação
9 a 15 de Agosto Évora
Sumário:
Este workshop introduz os participantes
a um paradigma psicofísico e a uma abordagem
para despertar a relação corpo-mente
do actor para a performance. O foco do workshop está no
desenvolvimento da interioridade do actor contemporâneo,
i.e., como é que o actor pode descobrir, despertar,
moldar e canalizar a sua energia, atenção,
foco/concentração e sentimento para
a performance – os impulsos, a estrutura, os
contornos e textura das tarefas ou acções
que constituem a partitura de uma dada performance,
enquadrada por determinadas dramaturgias.
O workshop
começa com treino psicofísico
pré-performativo, que prepara e acorda a relação
corpo-mente, através de artes marciais e de
meditação asiáticas - o taiqiquan
chinês, o yoga indiano e kalarippayattu, estreitamente
relacionado com as artes marciais. A relação
corpo-mente é abordada de forma prática,
através de exercícios como o sentido
de activação através da respiração
no movimento, o desenvolvimento do foco/concentração,
a circulação de energia através
do corpo e despertar o corpo-mente na relação
com cada um dos colegas, com o colectivo e com o
espaço-tempo da performance.
Se praticado a
longo-prazo, este trabalho permite aos participantes
desenvolver um “corpo todo
olhos”, i.e., desenvolver uma consciência
intuitiva necessária para a performance.
Os
primeiros três dias serão dedicados às
bases do treino psicofísico, através
da repetição de exercícios e
introdução aos princípios que
lhes estão subjacentes.
Seguidamente, começamos a pôr em prática
alguns dos princípios, através de improvisações
estruturadas – exercícios nos quais
os elementos e princípios do treino psicofísico
são aplicados a exercícios que se começam
a assemelhar a performances.
Nas últimas sessões do workshop, exploraremos
brevemente a aplicação dos princípios
e técnicas do treino a uma partitura de performance – WATER
STATION, de Ota Shogo.
Referências: A
abordagem psicofísica à representação,
acima apresentada, baseia-se, de forma mais imediata,
nas concepções, nos principios-chave
e nos contributos de Stanislavski, Grotowski e Artaud.
Foi o encenador e actor russo Konstantin Stanislavski
(1863-1938) que, na pesquisa desenvolvida ao longo
da sua vida, dedicada à natureza e processo
de representação, começou a
desenvolver uma abordagem psicofísica da representação
ocidental, focando-se tanto na psicologia e fisicalidade
do actor, aplicadas à representação
de personagens baseadas no texto. Stanislavski descrever
como a “partitura física” do actor,
uma vez aperfeiçoada, deve ultrapassar a mera “execução
mecânica”, mergulhando num nível
de experiência mais profundo que, “moldado
por um novo sentimento … [se] converte, pode
dizer-se, numa qualidade psicofísica” (1961:
66). Assim, “em toda a acção
física… conciliam-se acções
interiores, sentimentos” (1961: 228).
Este workshop
explora a “acção
interior” da vibração/ressonância,
não do ponto de vista psicológico/comportamental,
mas partindo de uma abordagem baseada na execução
de tarefas físicas, através das quais,
segundo Artaud, o actor se transforma num “atleta
do coração” que cria e encarna
uma “metafísica” “nas extremidades
nervosas” e “através da pele”.
Aqui, o actor ganha “uma compreensão
física da [incorporação das]
imagens” (1958). Como em qualquer bom processo
psicofísico, alcançar um tal estado
psicofísico requer longos anos de treino.
Os princípios e práticas básicos
introduzidos incluem:
Um trabalho que começa e acaba na respiração;
Trabalhar com todo o corpo, com ênfase no contacto
entre os pés e o chão;
Incorporação de metáforas-chave
para actualizar a prática;
Desenvolver uma linguagem e princípios de
consciência especial;
Desenvolver o foco, um estado de concentração
necessário à performance;
Desenvolver uma “energia” dinâmica
a aplicar à performance, através de
modulação.
Todos os pontos acima indicados têm de ser
desenvolvidos a longo-prazo. Esperamos poder proporcionar-vos
algumas pistas sobre as possibilidades deste treino.
No entanto, para que seja útil ao actor, este
método tem de se tornar, simultaneamente,
intuitivo e aplicável ao trabalho.
Resumo de
metáforas materiais e a incorporar: ‘o corpo torna-se todo olhos’ (meyyu
kanakkuka, expressão popular Malayalam) ‘permanecer imóvel e não permanecer
imóvel’ (A.C. Scott)
trabalhar ‘no extremo de uma respiração’…’nas
terminações nervosas’ (Herbert
Blau e Antonin Artaud)
a ‘corrente’ de ‘água’ (energia)
que passa através de determinadas partes do
corpo;
superfícies/partes do corpo ‘acordadas’ para
a consciência / visão / absorção
Phillip Zarrilli é internacionalmente
conhecido pelo seu método de treino psicofísico
do actor, baseado em artes marciais / de meditação
asiáticas, e como encenador. Tem um estúdio
próprio (Tyn-y-parc C.V.N. Kalari/Studio)
em Gales, e dirige workshops um pouco por todo o
mundo – incluindo os recentes workshops e residências
de longa-duração no Centro de Estudos
sobre Jerzy Grotowski (Polónia), no Festival
Internacional de Teatro de Seul, no, International
Workshop Festival (Londres), no Teatro Nacional da
Grécia, Theatre Training Initiative (Londres),
Companhia de Teatro Tainan-Jen (Taiwan), TTRP (Singapura),
Associação Teatral Gardzienice e Passe
Partout (Holanda), entre muitos outros. As suas produções
mais recentes das peças de Samuel Beckett,
que circularam por Los Angeles (2000), Áustria
(2001) e Irlanda (2004), foram aclamadas pela crítica
e galardoadas com os prémios de ‘melhor
actriz’ e ‘produção corajosa’ em
Los Angeles. Em 2002 colaborou com a artista e escritora
premiada, sedeada no Reino Unido, Kaite O’Reilly,
e com o Teatro Asou (Áustria) na performance,
Speaking Stones, que estreou na Áustria em
Setembro, apresentada pela primeira vez na Áustria
em Setembro de 2002, e estreou em Inglês em
Varsóvia (Polónia), sob o convite do
Centro de Estudos sobre Jerzy Grotowski, em 2003,
voltando mais uma vez à Áustria com
uma apresentação em Aflenz, 2004. Também
em 2004 encenou The Water Station, de Ota Shogo,
com o TTRP na The Esplanade Theatres on the Bay em
Singapura. Entre 2005 e 2006 encenou Die Zofen (As
Criadas) de Genet na Áustria, e esteve em
digressão, pelo EUA, durante Março
e Setembro de 2007, com The Beckett Project. Em 2007
encenou, em Singapura, a estreia de Attempts on Her
Life, de Martin Crimp, (uma produção
do TTRP na Esplanade Theatres on the Bay). Recentemente
encenou a estreia mundial, e aclamada pela crítica,
de The Almond and the Seahorse, de Kaite O’Reilly’s,
com a Sherman Cymru, e a nova tradução
de Psicose 4:48, de Sarah Kane, na KNUA (Seul, Corea,
2008).
Zarrilli também é reconhecido pelo
seu trabalho com bailarinos e coreógrafos
indianos. Em 2000 dirigiu Walking Naked, com o bailarino/coreógrafo
bharatanatyam, Gitanjali Kolanad, estreou em Chennai
e fez uma digressão internacional até 2004,
passando por Mumbai, Londres, Seul, Nova Iorque,
Toronto, etc. Em 2003 adaptou e encenou a farsa em
Sânscrito do séc. XVII para a companhia
de dança/teatro bharatanatyam, sedeada no
Reino Unido, Sangalpam, com performances no Purcell
Room, Queen Elizabeth Hall (Royal National Theatre,
Londres), e por todo o Reino Unido. Em 2006 completou
um nova performance a solo, The Flowering Tree, com
Gitanjali Kolanad.
Junta-se ao seu percurso profissional
o ensino do processo psicofísico no contexto da licenciatura
e do mestrado em Theatre Practice, da Universidade
de Exeter, no Reino Unido. Entre os seus númerosos
livros destacam-se (como editor) Acting (Re)Considered
(2ª edição no prelo), When the
Body Becomes All Eyes (1998), Kathakali Dance-Drama:
Where Gods and Demons Comes to Play (2000), e (como
editor) Martial Arts in Actor Training (1993). O
seu mais recente livro inclui um DVD-Rom interactivo
(por Peter Hulton) documentando a sua abordagem ao
treino do actor e performance, Psychophysical acting.
An intercultural approach after Stanisalvski, acaba
de ser publicado pela prestigiada Routledge (2009). |
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