África Move

O Festival Escrita na Paisagem em parceria com Mural Sonoro, um projecto de Soraia Simões, apresentam ‘África Move’.
A abrir um espaço à desterritorialização e encontro de instrumentos, as quartas-feiras serão dedicadas à música e à ‘transnacionalização’, no Largo de São Vicente, em Évora.

O Festival Escrita na Paisagem chega à 9ª edição com o tema cosmopolíticas. Tema complexo e de extrema actualidade, permite situar a criação artística contemporânea entre o Alentejo e o mundo, entre a condição local e o apelo global.

As relações entre as culturas portuguesa e africana ganharam forma e centralidade inequívocas, atravessadas pela inquirição sobre as identidades e as diferenças, sobre os processos de cruzamento e miscigenação, sobre, enfim, uma história que se partilha e anda mal resolvida nos planos ideológico e político, mas cujos frutos no campo artístico, e sobretudo no campo musical, são inquestionáveis: a música de raiz africana respira nas várias gerações de criadores musicais dos séculos XX e XXI em Portugal, seja pela circulação de protagonistas, seja pela indústria discográfica e da difusão musical, seja pelas profundas influências que as relações históricas potenciaram (entre os limites do período colonial, a circulação que as independências geraram e as contaminações que o mundo global continuamente (re)faz).

A abrir um espaço à ‘transnacionalização’ o Escrita na Paisagem, em parceria com Mural Sonoro, apresenta África Move, o programa de todas as quartas-feiras, dedicadas à música, no Largo de São Vicente, em Évora. Nove quartas-feiras e onze concertos a não perder!

Dia 4 de Julho, estão os Skolah Bedja. Miguel Gomes, da Associação Gaita de Foles de Portugal, músico de gaita de foles e percussões,  e Sebastião Antunes, Mestre da Quadrilha e músico de guitarra, bouzouki, bandolim, bandoleta, percussão, flauta e tin whistle, a abrir o programa numa noite dedicada à multi-instrumentalidade.

Dia 11 de Julho vamos ouvir Bilan. Filho de uma família de músicos cabo-verdianos reconhecidos, o contacto com a cidade e uma certa saudade das ilhas da Morabeza, passam para a sua estética e execução sonora/musical. Segundo Bilan, a sua música “reforça uma miscigenação de estilos e influências mostrando, dentro da música urbana, um outro lado de viagem e de diáspora, banhado pela língua crioula e os contornos da ’sabura’ “.

Múcio Sá e Francesco Valente tocam no dia 18 de Julho. Nascido no Brasil (Bahia) Múcio é um músico/instrumentista, que manuseia instrumentos como Mandolim, Ukelele, banjo, baixo, guitarra portuguesa. Francesco Valente, de conjuntos como os Terrakota ou Orquestra Todos, é também um multi-instrumentista, embora frequentemente o ouçamos e vejamos mais ligado ao contrabaixo.

O Dj Leo Leonel, chega ao Largo de São Vicente no dia 25 de Julho. Nascido no Rio de Janeiro, é um apaixonado da música e trará a sua visão ao festival Escrita na Paisagem, num set preparado para o efeito, onde cruzará de forma natural a ‘lusofonia’ com a ‘cultura pop global’. Da ‘tradição à modernidade’, expressões dele.

No 1º dia de Agosto, o festival recebe Cacique 97, o colectivo luso-moçambicano que dispensa apresentações e já marcou presença em prestigiados festivais. Há na sua música uma influência evidente do universo das percussões tradicionais/típicas da região em que assenta a música que produzem. Como os ‘yoruba’, ou estilos locais, como o ‘highlife’ e ‘juju’. Há as mesmas influências que se juntaram ao ‘afro-beat’  de uma época, como o ‘reggae’, o ‘jazz’, a ‘soul’ e ‘funk’. 

Dia para ouvir ainda Selma Uamusse, a voz de Gospel Collective, Movimento, Wraygunn e solista nas suas interpretações em tributos, como o recentemente feito a Nina Simone que irá apresentar em Évora.

No dia 8 de Agosto vamos ouvir o grupo brasileiro em digressão por Portugal, Bemba Trio com um conjunto de músicas originais.

E no dia 15 de Agosto o duo Irmãos Makossa, composto por Nélson e Paolo, o italiano e o angolano que encerraram o Festival Músicas do Mundo do ano que passou num ambiente contagiante. A cruzar raízes como poucos, os Irmãos Makossa são uma espécie de ‘autodidactas da procura de raridades’.

A noite de 22 de Agosto é para ouvir o set do Dj Tiago Angelino, com sons que vão da ‘África Portuguesa’ (Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe) à ‘África Negra’ (como o Mali).

Dia 29 de Agosto marca a última quarta-feira de 'África Move' no festival Escrita na Paisagem, com o percussionista Marco Fernandes introduzido pelo músico e compositor Jaime Reis, na apresentação da obra percussion and tape commissioned by Frankfurt Ballet, dance entitled “Walking Music”, para dois percussionistas. Noite em que vamos poder voltar a ouvir mais o Dj Tiago Angelino, a encerrar com o imperativo: dançar!


'África Move' de 4 de Julho a 29 de Agosto, no Festival Escrita na Paisagem.


Colecção B, Associação Cultural
Estrutura Financiada por:
Governo de Portugal
Secretário de Estado da Cultura
Direcção-Geral das Artes
Câmara Municipal de Évora (Festival Terras do Sol, InAlentejo 2007-2013, União Europeia)
Fundação Eugénio de Almeida

Mural Sonoro

Mural Sonoro

Música em contexto urbano diversa - Portugal, África Portuguesa, Países de expressão portuguesa.

Um projecto de Soraia Simões, que nasceu em 1976 na cidade de Coimbra.

É uma apaixonada pela música e pelas expressões culturais de vários ‘povos’ do mundo. Incide o seu estudo e trabalhos na cultura popular e nas práticas musicais de países de expressão portuguesa, especialmente, a partir do Sec XX.

Embora o seu trabalho, no terreno, se debruçe nos agentes culturais e musicais vindos de outros pontos do mundo, migrados em Portugal, tem o objectivo de conhecer toda a África portuguesa, e as suas paisagens sonoras a fundo, e tem um gosto especial por Cabo Verde onde tem família.

Pós graduada em Estudos de Música Popular pelo Departamento de Ciências Musicais, na Universidade Nova de Lisboa no ano de 2012, trabalhou em vários órgãos e edições (locais e sites específicos) com trabalhos de autora na área musical diversos.

Ainda na cidade de Coimbra, esteve dois anos em Antropologia, em Ciências de Informação entre os anos de 1999 e 2002 e passou pelo Curso Superior de Medicina Chinesa de Pedro Choy.

Envolveu-se ao longo dos últimos três anos em workshops (onde foi assistente) diversos: 'Musicoterapia', 'Música e Som, 'Música com o Corpo' .
Deu aulas na ESTAL (Escola Superior de Tecnologias e Artes de Lisboa) no segundo semestre - de 2008 a 2010 - e no Instituto Galeno (no mesmo período). Ao longo do seu percurso foi convidada pontualmente para fazer opinião de discos nacionais e contextualização teórica.

É autora de um programa de cariz documental para televisão sobre música popular em contexto diaspórico e migratório, e de um espaço na internet com a mesma génese, de nome Mural Sonoro. 'Passado-Presente, Uma Viagem ao Universo de Paulo de Carvalho' reflecte algumas das suas preocupações e problemáticas no contexto da prática musical popular de matriz urbana. A multiculturalidade - um dos aspectos mais abordados no seu trabalho - diz "patenteia-se em toda a actividade profissional do músico Paulo de Carvalho". Este seu trabalho parte de um ciclo de conversas durante quase um ano com o músico e sairá em Setembro/Outubro com o selo da Chiado Editora.

 

http://muralsonoro.tumblr.com/

22h00
Igreja de São Vicente
Todas as Quartas-feiras