Kinda LIL' Moma
PT
Performance
Convento dos Remédios, Évora
15 de Julho, a partir das 22h
Jovens artistas, alunos da Licenciatura em Teatro da Universidade de Évora, propõem-se analisar e
re:fazer obras de ícones da performance art, para
re:formular questões antigas e novas através do corpo e da sua presença viva.
Vanda Rodrigues e Sofia Ramos
Kamasutra Machine
A performance
Kamasutra Machine (
http://www.youtube.com/watch?v=fL6ilt-D32E) é um
re:play de uma peformance que usa como material de criação, o Kamasutra, manual de posições sexuais. Realizada por duas mulheres, a performance levanta e urge uma problemática de género, assim como a própria questão da re:produção, na medida em que, uma vez dentro da máquina, o que nela acontece é a transposição,
re:criação e
re:actualização, de conjunto de imagens retiradas do Kamasutra.
Paulo Pimenta
Sofia Ramos e Mafalda Marafusta
Nude with Skeleton
Neste exercicio de
re:petição da homónima performance de
Marina Abramovic, um corpo nu de um jovem artista repousa deitado com um esqueleto sobre si próprio. Segundo Abramovic, este é o último espelho que todos deveremos encarar. Esta
re:visitação de uma peça clássica da performance, remete-nos para o permanente desassossego da relação morte-vida.
André Salvador
Eu não quero morrer sem cicatrizes: de que corpo é este rasto?
Performance que toma como ponto de partida o trabalho do performer italiano Franko B. Uma re:actualização que materializa a interrogação sobre o lugar do corpo.
Este trabalho surge de questões que surgiram ao longo de algumas leituras que fiz relacionadas com corpo, alma e carne. Pretendo mostrar um corpo que através da dor, manifesta na mutilação, se liberta e se torna consciente das suas prisões sociais, culturais, políticas e sexuais, assumindo-se como carne e alma. O sangue que verte do corte é uma forçada manifestação da alma, consciente, e visa romper através da dor as amarras que a sociedade impôs ao corpo. O corpo está hoje condicionado à sua funcionalidade; o corpo é um meio para atingir um fim. Eu quero que esse corpo tome contacto com a sua essência, que esse corpo se lave no seu próprio sangue, na sua própria dor. Será então essa lavagem a libertá-lo. Só depois de ter estado em contacto com o que é mais primitivo em si, ele ganhará consciência e mover-se-á como se nascesse de novo, deixando um rasto para se lembrar de onde veio. Este corpo novo e purificado tem consciência de si, tudo o que ele sofria e sangrava por dentro foi sofrido e sangrado por fora, esse processo, libertou-o e consciencializou-o da prisão a que estava submetido. A mutilação é uma cura consciente para um corpo levado para a inconsciência.
André Salvador (texto editado)