Vídeo show
Vídeo / Instalação
Évora

Palácio D. Manuel, Évora
Átrio Do Ipj, Évora

Sala 131, Claustro da Cisterna
Colégio Espírito Santo, Universidade de Évora

5 A 20 DE JULHO

Mostra de vídeo integrada no Festival Escrita na Paisagem 2006. Reunindo autores nacionais e internacionais (Inglaterra, Espanha, Estados Unidos da América, Japão), a Mostra propõe com os seus filmes uma leitura das múltiplas relações que entre comida, cheiro e agricultura se estabelecem. Ao invés de ilustrar ou documentar essas que são as paisagens do Festival, os filmes apresentados procuram aliciar para incursões nos territórios do imaginário, da inquietação e da procura, organizando-se em três secções: Gargântua (Palácio D. Manuel), a partir da figura rabelaisiana do excesso, Etnoscapes (átrio do IPJ), uma secção dedicada às pessoas, ao género e ao lugar, por fim a secção Narrativas (Auditório 131, Colégio do Espírito Santo), na qual se exibem filmes de Daniel Blaufuks (dia 5), Miguel Clara Vasconcelos e Aya Koretzky (dia 12, e Regina Guimarães & Saguenail (dia 13), sempre às 21h 30m.

Gargântua
Palácio D. Manuel
2 a 6 > 10h-12h, 14h-18h
sábado > 14h-18h
Encerrado aos Domingos

João Garcia Miguel, Pedras (2002)
António Preto & Ana Ulisses, Esta rata que a terra há-de comer (2002)
Jonathan Judge, Food for thought [sobre Mimi Oka & Doug Fitch, Ile flottante] (s/d)


Etnoscapes: Género e Lugar
Átrio do IPJ
Todos os dias > 9h às 20h
Encerrado aos Domingos

Bobby Baker, Kitchen Show (1991)
Pedro Gil, 8 Mulheres sobre comer, cheirar, agricultura (2006)
Tomàs Aragay (Societat Doctor Alonso): Seres vivos (2006)
Regina Guimarães, Presente (2003)


Narrativas
Auditório 131, Claustro da Cisterna
Colégio do Espírito Santo, Universidade de Évora
Dias 5, 12 e 13 de Julho, 21h 30m

5 Julho
Daniel Blaufuks, Um pouco mais pequeno do que o indiana (2006)

12 Julho
Miguel Clara Vasconcelos & Aya Koretzky, Terror Japonês (ante-estreia)

13 Julho
Regina Guimarães e Saguenail, Sabores

+


Gargântua serve-se da figura criada por Rabelais para uma abordagem em que o excesso e o carnavalesco andam a par. As três propostas que integram esta secção são, nesse contexto, exemplares. João Garcia Miguel apresenta Pedras, um filme da série Objectos humanos que este actor, encenador, artista plástico e professor vem realizando há alguns anos. Nele, a condição alimentar aparece reduzida à sua mais básica expressão, até em sentido baktiniano: um homem mastiga, imperturbável, pedras. Aqui, comer é actualizar os orifícios de um corpo grotesco, isto é, um corpo que emerge dos orifícios e neles evidencia as suas funções básicas.

Com o filme de António Preto e Ana Ulisses (que são também os actores), esta condição é elevada a um estado de escatologia sublime, propriamente gargantuesca, onde o gesto feminino de ‘fazer uma sopa’ agiganta um corpo em que os legumes se ‘plantam’ e a que a terra dá génese. Outro corpo virá ainda, o masculino das funções alimentares, ostensamente vestido (em contraste com a nudez feminina), um corpo só boca, só alimentação.

Por fim, o filme documentário sobre o trabalho dos artistas Mimi Oka e Doug Fitch, que no final de Agosto estarão em Portugal, a convite do Festival, para uma performance ‘alimentar’ em Vila Nova de Milfontes. Esta dupla de artistas (ele americano, ela japonesa) mantém há alguns anos um projecto belíssimo — Orphic food — onde arte e comida encontram caminhos de rara beleza. O documentário incluido na Mostra é um episódio de uma série mais extensa sobre o trabalho daqueles artistas, intitulado Comida para pensar (o mote encontra-se em Claude Lévi-Strauss, que afirmava que «comer não é bom porque se come, mas porque se pensa»).

Etnoscapes ou etnopaisagens (Appaduray) são paisagens de pessoas num mundo em transformação constante. Na programação desta secção da Mostra, essa transformação incide sobretudo em questões de género e de identidade de lugar.

Instalada no átrio do IPJ de Évora, exibem-se em loop quatro filmes. Bobby Baker, célebre performer inglesa, apresenta em formato vídeo (podia dizer-se vídeo performance) um dos seus trabalhos mais emblemáticos, Kitchen show, datado de 1991. Nele se apresentam, com humor, os traços irónicos de uma poética do lugar feminino que a cozinha é numa tradição fortemente enraizada. Bobby transforma essa realidade expondo-a de forma crítica ao olhar do espectador.
Pedro Gil realizou, a convite do Festival, um breve filme com oito tempos: oito mulheres falam sobre a sua experiência dos cheiros e sabores do Alentejo agrícola, compondo um retrato singular. O autor, realizador em vários contextos deste tipo de formato, não edita as imagens, nem trabalha a entrevista, antes deixa as retratadas ao tempo e ao confronto com a cãmara.

Tomàs Aragay, da Societat Doctor Alonso (Catalunha), apresenta uma série de curtos olhares fílmicos sobre os modos e tempos da vida em contexto rural na Catalunha onde vive e trabalha. As etnopaisagens que propõe evidenciam, de forma muito aguda, as transformações que presidem aos ritmos, presenças e fazeres destes Seres vivos.

Por fim, Regina Guimarães propõe Presente, um vídeo ensaio onde o espaço e a linguagem se encontram e a reflexão conduz o olhar do espectador.

A secção Narrativa integra 3 filmes em regime de exibição (sempre às 21h 30m, sempre no Auditório 131 da Universidade de Évora). De Daniel Blaufuks apresenta-se, a 5 de Julho, um pouco mais pequeno do que indiana, filme em que o autor percorre Portugal actualizando um finíssimo discurso crítico sobre as nossas realidades, com as múltiplas paisagísticas deste Portugal de hoje.

Segue-se, a 12 de Julho, Terror japonês, uma ante-estreia da dupla Miguel Clara Vasconcelos e Aya Koretzky. Feito em Portugal, o filme apresenta-se em japonês, legendado, com uma cozinha transformada em ‘centro do mundo’ , coração das narrativas de medos e temores que no seu seio se anicham.

A encerrar esta secção, apresenta-se, a 13 de Julho, Sabores, um filme da dupla de cinema independente mais persistente e exemplar em Portugal: Regina Guimarães e Saguenail. Sabores explora o Vale do Sabor, as suas gentes e terras, num registo documental que, para lá das ‘semelhanças de família’ que com o Alentejo estabelece, traça um singular retrato deste universo agrícola e português que cada vez mais declina.

É para esta rede de olhares cruzados, de solicitações transversais, de objectos de duração e exibição variável que convidamos os espectadores, menos com respostas do que com inquietas inquirições sobre estas paisagens que nos rodeiam e nos fazem. Junte-se a nós.

Mimi Oka & Doug Fitch

Daniel Blaufuks

Miguel Clara Vasconcelos & Aya Koretzky

Regina Guimarães & Saguenail

António Preto & Ana Ulisses
ÍNDICE DETALHES

ANA BEZELGA
Performance

ANA PASCOAL
Instalação

ANDAMENTO
Criação e Investigação

ERVAS & AROMAS
Concerto

ENSEMBLE JER
Concerto

FRUIT MUSIC
Concerto

GÉMEO LUIS
Exposição

KUBIK
Cineconcerto

MARGARIDA CHAMBEL
Fotografia

MIMI OKA & DOUG FITCH
Intervenção

o B. I. da abóbora…
Exposição

PANTAGRUEL NO CAMPO
Cinema na esplanada

PAULA RODRIGUES
Performance

PEDRO ALMEIDA (ACUR)
Performance / Concerto

RECKLESS SLEEPERS
Workshop / Performance

REFEIÇÃO TEMÁTICA
Almoço

REPRESENTAÇÕES
Encontros

SONIC KITCHEN
Concerto

TEATRO DELLE ARIETTE
Teatro

TERRAS DO XISTO
Semana Cultural

VÍDEO SHOW
Vídeo / Instalação

WALDEN
Teatro