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 A P R E S E N T A Ç Ã O
apresentação
Fotografia: Kasimir Marin

 
Escrita na Paisagem, Festival de Performance e Artes da Terra, cruza as artes performativas e da terra com a paisagem alentejana. Nesta quarta edição, o tema do Festival formula-se a partir de 3 palavras-chave: jogo .: viagem .: hospitalidade, uma tripla articulação de ideias nucleares da criação artística e do mundo contemporâneos com peculiar expressão no território alentejano.

Chega-nos assim o jogo nas construções performativas dos rotozaza, companhia inglesa que já trouxe a Évora o seu trabalho (na primeira edição do Festival, em 2004) e promete surpreender com as duas produções que nos traz em português. Ou na divertida versão de Hamlet que as pequenas figuras do Tiny Ninja Theatre representam, ou ainda nas formas lúdicas da música de Victor Gama (em Setembro), entre a tradição e a pesquisa mais radical. Em Agosto, veremos uma exposição subordinada ao jogo, com obras de 4 artistas internacionais capazes de evidenciar as linhas de contacto programático que se estabelecem entre a arte e o jogo.

Transversais aos temas do Festival, as jovens companhias de Novo Circo Fil Rouge (Julho) e Galapiat (Setembro) mostram, com persistente clareza, que o jogo circense se cruza sempre com a viagem e a hospitalidade. Arte nómada, arte de dar e receber, a presença destas companhias resulta da cooperação com o Centro Nacional das Artes do Circo (CNAC), em França, razão pela qual, além dos excelentes espectáculos plenos de poesia e vibrantes de força, com eles desenvolvemos um processo de formação e sensibilização - o projecto Circo e Cidade, com vista a uma maior presença do circo novo entre nós. Quem neste contexto diz espectáculos e formação diz dar e receber, diz o jogo da viagem e as razões da hospitalidade.

Nesse domínio, a realização do encontro Literatura e hospitalidade, comissariado por Pedro Eiras e antecedido por uma maratona de leitura organizada em colaboração com a Biblioteca de Évora, em Abril último, ocupa um lugar de relevo, pois com viagem e hospitalidade buscam-se ainda outros destinos, integram-se outros viajantes e outros discursos. A sociologia, a antropologia, a literatura, a filosofia e o cinema são aqui convidados a cruzar connosco olhares, saberes e experiências, percorrendo as variações em torno de temas que hoje inquietam o mundo: o exílio, a ausência, as migrações, as línguas e as identidades.

É neste lugar que cabe sublinhar a importância de que se reveste o espectáculo de abertura do Festival, a 1 de Julho. Guillermo Gómez-Peña é, com efeito, um artista que trabalha radicalmente estas questões, o que já valeu a este pós-mexicano o aplauso da crítica ao lado da censura mais despudorada. É um enorme privilégio poder apresentar o seu espectáculo no quadro deste Festival, um espectáculo que os EUA procuraram silenciar  ao longo de três anos e que conta já uma extensa carreira externa.

Pelo quarto ano consecutivo, Escrita na Paisagem apresenta no Alentejo um programa intenso de criações nacionais e internacionais, frequentemente de estreias absolutas em Portugal. Os apoios que o Festival tem recebido, onde avulta o do Ministério da Cultura / Instituto das Artes, ou o reconhecimento do International Fund for the Promotion of Culture, da Unesco (em 2006), assim como a imprescindível colaboração e o financiamento de muitas instituições. Sem elas não teria sido possível erguer um  projecto de alcance regional e parcerias internacionais, voltado para o cruzamento da criação contemporânea com o território do Alentejo, interpelando-o com pontos de vista cada ano renovados (que é o que o tema aglutinador da programação procura). Projectos de investigação e criação de jovens artistas, por vezes de alunos da Universidade de Évora; criações do circuito internacional em ascensão (rotozaza, Reckless Sleepers) ou de consagrados (como  este ano com G. Gómez-Peña); encontros e debates combinando a dimensão académica com a divulgação; criações e criadores em busca do cruzamento de disciplinas artísticas e de molduras experimentais para o seu trabalho ou propostas situadas entre a novidade e a ancestral tradição, como este ano com o novo circo, de tudo isto se têm feito as nossas leituras da paisagem. E as vossas.
Este é o tempo do Festival, tempo da fruição dos seus mais de 25 eventos, distribuídos por mais de 13 semanas de música, teatro, circo, instalação, performance, encontros, projectos de formação e debate. E se o Festival lança desafios, em rigor são os desafios da fruição e da participação. Fazemos o Festival para si! Contamos consigo!

José Alberto Ferreira
   
   

 

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