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Andamentos

Andamento 1: Visitas Guiadas
Azul Ceballos e Inês Barreiros
Video-projecções no final de Setembro, Évora
9 de Outubro, 1h: apresentação e instalação na Casa da America
Latina

Andamento 2: A longa marcha
José Nuno Lamas + Valter Ventura e Inês Beleza Barreiros

Andamento 3: Califórnia-Alentejo:
game, jogo; game, pronto

Alyssa Casey e Inês Barreiros
Projecções no final de Setembro, Évora

Sobre o Projecto
Andamentos são propostas de criação e investigação envolvendo processos de residência e/ou criação e/ou formação, numa metodologia aberta, ora expedições de imersão na paisagem, ora performance, ora workshop. Visam a sensibilização / criação / formação em torno do território, da paisagem e da natureza, assim como a exploração de processos de trabalho, em regime de estúdio ou em espaços abertos.
Por regra, os Andamentos não dão lugar a objectos, excepto quando os artistas o pretendem. Nesta edição, os Andamentos são ocasião para produzir resultados. Azul Ceballos produz fotografias e filmes que exibe em Évora e, a 9 de Outubro, na Casa da América Latina, em Lisboa, sob o regime da instalação. Valter Ventura e José Nuno Lamas concebem uma série fotográfica, contígua (no plano temático e formal) ao universo desenvolvido em trabalhos anteriores pelos dois artistas. Alissa Casey fotografa e concebe uma apresentação vídeo das correspondências entre os territórios em jogo.
Nesta edição, os andamentos têm ainda o perfil renovado pelo envolvimento de jovens  curadores (Inês Beleza Barreiros e Israel Guarda) em colaboração estreita com jovens criadores nacionais (Inês Barreiros + Israel Guarda + José Nuno Lamas & Valter Ventura) e internacionais (Inês Barreiros e Azul Ceballos, Argentina; Inês Barreiros e Alissa Casey, EUA).  

Os projectos que este ano se apresentam no âmbito dos Andamentos são projectos de jovens artistas nacionais e estrangeiros em estreita colaboração com jovens curadores, que se detêm nos temas e respectivas problemáticas, inerentes ao Festival deste ano.

É assimque toma formao projecto “Visitas Guiadas”, resultado de um encontro entre o percurso teórico de Inês Barreiros e o percurso artístico de Azul Ceballos. Tal encontro deu-se primeiramente em Nova Iorque, em 2004, e desde então a troca de ideias tem sido uma constante. O encontro potencia-se neste projecto, espécie de viagem física e interior, entre Nova Iorque (lugar neutro para ambas e onde se conheceram), Argentina (lugar de origem de Azul), e Portugal (lugar de origem de Inês). Vinda da mais jovem geração de artistas argentinos e membro dos grupos Recolectivo e Objeto Ajeno, Azul Ceballos centra-se nesta obra na ideia de visita, através de uma série de vídeos e performances que já tiveram lugar em Nova Iorque e na Argentina e que agora se concluirão em Portugal, no âmbito do Festival. Com esta metodologia, a obra estabelece uma rede de conexões entre lugares, pessoas e latitudes geográficas e emocionais.
Na esteira de uma certa arte proveniente da América Latina, em figuras como Lygia Clarck ou, mais recentemente, a dupla helvético-brasileira Maurício Dias e Walter Riedwe (com quem, aliás, Azul já trabalhou), este novo trabalho reveste-se de experimentalismo, mas, à semelhança da obra dos artistas citados, com um desdobramento na sociedade. Trata-se da procura de uma “estética relacional” (Nicolas Bourriaud, 2002), estética essa que toma por horizonte a esfera de interacções humanas e o seu contexto social, possibilitando uma “arena de trocas”, mais do que a afirmação de um espaço simbólico e privado. Um projecto com e sobre os “outros”, no que eles vivem de mais subjectivo, porque é precisamente a este nível que poderá mais autenticamente ocorrer um verdadeiro interculturalismo tal como Néstor Garcia Canclini (2004) o propõe, por oposição a um (obsoleto) multiculturalismo pseudo-inclusivo.
Também de subjectividades e afectos nos fala o projecto de Alyssa Cassey. Com uma licenciatura mista em Belas-Artes, Biologia e Geografia, na Universidade de Berkeley, gosta de encontrar no seu trabalho ligações conceptuais entre fontes não relacionadas, mas semelhantes entre si, combinando frequentemente formas arquétipas com registos de memórias. Através deste processo como força criativa chave, o trabalho de Alyssa identifica-se com os preceitos da poesia visual, ao mesmo tempo que mantém uma ênfase nas prioridades formais do desenho. O projecto que concebemos para o Festival vai nesta esteira e contextualiza-se a partir de uma viagem pelo Alentejo, no Verão de 2004. Inês Barreiros, convencida de que levava Alyssa Cassey por uma paisagem única, confronta-se com o seguinte comentário: “Evoca-me fortemente a Califórnia”. Será que o Alentejo, em vez de um ‘deserto’, poderá ser uma (californiana) ‘terra prometida’?

Desta forma, “Game, Jogo; Game, Pronto” constitui-se como um exame às semelhanças e/ou discrepâncias emotivas e físicas entre as paisagens do Alentejo, lugar do Festival, e as da costa central da Califórnia, lugar de origem de Alyssa, através das memórias íntimas da sua história familiar (de emigrantes italianos na Califórnia). Seguindo o tema do Festival, “jogo, viagem e hospitalidade”, o projecto transforma as duas paisagens em “quadros de jogo”, através dos quais Alyssa já viajou na Califórnia e viajará em Portugal, documentando a sua passagem por meio de desenhos e registos escritos de encontros com pessoas e memórias locais e familiares. Na esteira da melhor tradição “paisagista” americana, em artistas como Hans Hofmann (sobretudo os seus trabalhos em papel) e, mais recentemente, Wolf Khan (seu discípulo), cujas obras estão entre as mais populares da imagética americana, os desenhos-registo de Alyssa são actos de preservação da memória,  que se constituem como testemunhos despretensiosos e que darão origem a dois livros de edição única.

Implicando também uma viagem (embora performática e não assumida) pelo território alentejano, “A Longa Marcha” é o projecto artístico da dupla José Lamas e Valter Ventura, que trabalham juntos desde 2005, ano em que se formaram no Ar.Co.. A ideia subjacente ao projecto é a de inquirir a noção de território, identidade e cultura, criando uma narrativa paralela de itinerância-nomadismo por aproximação a uma dada realidade (Território Alentejano). A viagem desenvolvida pelos autores, ao mesmo tempo que dialoga com o real (através da deslocação de um marco), sistematiza a construção de uma narrativa que sintetiza a construção deste processo.

Partindo do pressuposto de que a paisagem não é um conceito geral (como Alain Roger e Augustin Bercque tão bem explicitara), mas é, antes de mais, uma construção pessoal, em que vários factores naturais, culturais e sociais actuam e se modificam com o tempo, num sistema que determina e é determinado por uma estrutura global, o trabalho desenvolvido por estes artistas interfere voluntariamente com este conceito, procurando equacionar as lógicas e as noções que o construíram como tal ao longo do tempo.

Os três projectos cruzam, de diferentes formas, os conceitos de paisagem, viagem, jogo, hospitalidade e nomadismo, constituindo-se como “espaços intersticiais”, no sentido Bhabhiano do termo (Homi K. Bhabha, 1994), que convidam à reconsideração do papel da produção artística como parte da teorização do aqui e agora. Porque, como argumentou Arjun Appadurai (1996), é na intersecção do movimento de pessoas e do movimento de imagens que se constrói a experiência contemporânea.

Inês Barreiros, com Israel Guarda

Com o apoio da Casa da América Latina
Com o apoio da Embaixada dos EUA.



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