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   FESTIVAL 2008


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apresentação

Uma casa é uma casa É uma casa…

Escrita na Paisagem, festival de performance e artes da terra regressa para mais um ano, o 5º, de uma programação cheia de surpresas, novidades, plena de diversidade e rigor, aberta às muitas disciplinas da casa das artes, aos seus cruzamentos com a paisagem e com as pessoas. Os projectos que se empenham nas características do território, como o circuito O espírito do lugar, ou os que se aproximam da criação universitária, como a plataforma Janela indiscreta, ou ainda a Escola de Verão que este ano, pela primeira vez, realizamos, são sinal bastante dessas abertura e cruzamento. Festival transdisciplinar, comprometido com a criação contemporânea e com o Alentejo, com as instituições e com a rebeldia, Escrita na Paisagem  vive de tudo isso e desafia para isso tudo.

Quinta edição de uma aventura gratificante, mesmo quando as dificuldades se avolumam e os obstáculos parecem crescer a cada passo, é em torno da CASA que tudo circula, entre a metáfora da casa natural (a colmeia em que nos inspiramos para a imagem do Festival) e a sua realidade paisagística. Ela é micro-perspectiva e abordagem macroscópica, ela é território do íntimo e matéria do colectivo, rústica e tradicional ou rebelde de modernidade, urbana ou rural, lugar de múltiplos fazeres e saberes, numa escala que vai do familiar ao urbano e ao planetário. Por isso o Festival abraça também a causa do Planeta Terra e a temática ambiental, neste que é o Ano Internacional do Planeta Terra, promovido pela UNESCO.

A casa apresenta-se-nos, assim, de perspectivas muito variadas. Por exemplo, as que nos chegam com o circo, que desde 2007 apresentamos na programação. O circo do imaginário nómada, da casa ambulante, da fantasia clownesca, chega-nos de Espanha, Alemanha (via Portugal) e França, com perfis que vão do one-man-show (L. Cartouche) ao cenário ridente da companhia Katraska ou à pequena tenda fascinante de L’Attraction Céleste, onde se apresenta um dos mais comoventes e divertidos projectos de criação circense da actualidade.

Nos projectos de teatro, é o fascínio da dimensão de intimidade que marca presença, nas propostas de consagrados (Fernanda Lapa dirige The blue room, de David Hare, com alunos de Mestrado) como na experimentação de Márcio Pereira ou Giorgia Maretta. São casas que se mostram por dentro, com a transgressão como horizonte maior. Ou no jovem colectivo Vigilâmbulo Caolho, cujo Senhor Valéry se desmultiplica em versões de si numa casa que une o íntimo ao planetário (a minha casa é o meu mundo, pode dizer-se com o poeta). E é ainda nessa direcção que segue A felicidade, um concerto de Kubik com música para imagens de Alexandre Medvedkine em que a casa é o pequeno mundo de um casal e o grande mundo da revolução. E sempre lugar de concretização de felicidade!

Mas a casa vislumbra-se como presença no território, como história ou possiblidade dela. É aí que mergulham os Andamentos, projectos de investigação/criação que o Festival desde o a primeira edição promove. É aí igualmente que se encontra um projecto como O espírito do lugar: um circuito que articula património e criação em sete lugares do Alentejo. O desafio é para a viagem, a visita, para alguns o regresso à casa-mãe e o confronto com olhares-outros sobre as tradições, os castelos e museus. É essa ‘troca de olhares’ que, em boa medida, mobiliza o workshop Open houses a olhar para o parque de casas devolutas eborense. É aí também que queremos situar a Janela indiscreta que abrimos sobre a criação artística universitária —multimédia, teatro, música, performance e artes visuais—, trazendo-a para o espaço público, para a arena internacional, para o cruzamento de perspectivas.

Porque há muitas casas dentro (e fora) de uma casa, queremos contar com a sua. Para que conte com a nossa, aqui lhe deixamos o convite. Porque, a prolongar o eco do verso de Gertrude Stein que usamos no título, uma casa é uma casa é uma casa…

José Alberto Ferreira
Director Artístico do Festival