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CRÓNICA
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A palavra corpo tem essa força de evocação junto dos sonhadores impenitentes que se impõe ao nosso imaginário, como lisura, pontuada de pregas, rugas, linhas e pilosidades, interrompida por bocas, ângulos e curvas, de uma paisagem matinal e exterior; mas, ao mesmo tempo, sugere, um secreto labirinto de canais, poços, bolsas, camadas fibrosas, membranas diáfanas, líquidos espessos e infinitas circunvoluções, que compõem uma paisagem crepuscular e interior. O corpo é o nosso interior e o nosso exterior. Portáteis. Nele se escrevem marcas das dores e dos prazeres, dos ímpetos e dos recalcamentos, mal conhecidos dos detentores da ciência, mas matéria de erro e errância dos amantes.

A superabundância de apelos, mais ou menos publicitários - nunca inofensivos - à conservação patrimonial do corpo em estado de perpétua juventude – à sombra da máxima vagamente tingida de eugenismo mente sã em corpo são - camufla um paradoxo que as paisagens terrestres nos ajudam a desvendar, por vezes quase a decifrar. É que, em boa verdade, quanto mais velho, desgastado, trabalhado pela erosão um corpo parece, mais nele comparece a corporalidade, interna ou externa. Em poucas palavras, quanto mais antigo é um corpo, mais corpo é. E isso coloca um verdadeiro desafio à nossa utópica condição de guardadores de paisagens. Pois que entre a presença da ruína e a disseminação do pó, o caminho é curto. Nesse caminho, a escrita e a respectiva leitura revestem um carácter de urgência que não se compadece com aquilo que nos fazem engolir como paradigma da eficácia, a saber: a luta contra o tempo.

Regina Guimarães

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