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DETALHES
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Escola de Verão
Tornar o corpo ‘todo olhos’
Corpo, respiração, activação e performance
Phillip Zarrilli (UK)
Formação
9 a 15 de Agosto
Évora

Sumário:
Este workshop introduz os participantes a um paradigma psicofísico e a uma abordagem para despertar a relação corpo-mente do actor para a performance. O foco do workshop está no desenvolvimento da interioridade do actor contemporâneo, i.e., como é que o actor pode descobrir, despertar, moldar e canalizar a sua energia, atenção, foco/concentração e sentimento para a performance – os impulsos, a estrutura, os contornos e textura das tarefas ou acções que constituem a partitura de uma dada performance, enquadrada por determinadas dramaturgias.

O workshop começa com treino psicofísico pré-performativo, que prepara e acorda a relação corpo-mente, através de artes marciais e de meditação asiáticas - o taiqiquan chinês, o yoga indiano e kalarippayattu, estreitamente relacionado com as artes marciais. A relação corpo-mente é abordada de forma prática, através de exercícios como o sentido de activação através da respiração no movimento, o desenvolvimento do foco/concentração, a circulação de energia através do corpo e despertar o corpo-mente na relação com cada um dos colegas, com o colectivo e com o espaço-tempo da performance.

Se praticado a longo-prazo, este trabalho permite aos participantes desenvolver um “corpo todo olhos”, i.e., desenvolver uma consciência intuitiva necessária para a performance.

Os primeiros três dias serão dedicados às bases do treino psicofísico, através da repetição de exercícios e introdução aos princípios que lhes estão subjacentes.

Seguidamente, começamos a pôr em prática alguns dos princípios, através de improvisações estruturadas – exercícios nos quais os elementos e princípios do treino psicofísico são aplicados a exercícios que se começam a assemelhar a performances.

Nas últimas sessões do workshop, exploraremos brevemente a aplicação dos princípios e técnicas do treino a uma partitura de performance – WATER STATION, de Ota Shogo.

Referências: A abordagem psicofísica à representação, acima apresentada, baseia-se, de forma mais imediata, nas concepções, nos principios-chave e nos contributos de Stanislavski, Grotowski e Artaud. Foi o encenador e actor russo Konstantin Stanislavski (1863-1938) que, na pesquisa desenvolvida ao longo da sua vida, dedicada à natureza e processo de representação, começou a desenvolver uma abordagem psicofísica da representação ocidental, focando-se tanto na psicologia e fisicalidade do actor, aplicadas à representação de personagens baseadas no texto. Stanislavski descrever como a “partitura física” do actor, uma vez aperfeiçoada, deve ultrapassar a mera “execução mecânica”, mergulhando num nível de experiência mais profundo que, “moldado por um novo sentimento … [se] converte, pode dizer-se, numa qualidade psicofísica” (1961: 66). Assim, “em toda a acção física… conciliam-se acções interiores, sentimentos” (1961: 228).

Este workshop explora a “acção interior” da vibração/ressonância, não do ponto de vista psicológico/comportamental, mas partindo de uma abordagem baseada na execução de tarefas físicas, através das quais, segundo Artaud, o actor se transforma num “atleta do coração” que cria e encarna uma “metafísica” “nas extremidades nervosas” e “através da pele”. Aqui, o actor ganha “uma compreensão física da [incorporação das] imagens” (1958). Como em qualquer bom processo psicofísico, alcançar um tal estado psicofísico requer longos anos de treino.

Os princípios e práticas básicos introduzidos incluem:
Um trabalho que começa e acaba na respiração;
Trabalhar com todo o corpo, com ênfase no contacto entre os pés e o chão;
Incorporação de metáforas-chave para actualizar a prática;
Desenvolver uma linguagem e princípios de consciência especial;
Desenvolver o foco, um estado de concentração necessário à performance;
Desenvolver uma “energia” dinâmica a aplicar à performance, através de modulação.
Todos os pontos acima indicados têm de ser desenvolvidos a longo-prazo. Esperamos poder proporcionar-vos algumas pistas sobre as possibilidades deste treino. No entanto, para que seja útil ao actor, este método tem de se tornar, simultaneamente, intuitivo e aplicável ao trabalho.

Resumo de metáforas materiais e a incorporar:
‘o corpo torna-se todo olhos’ (meyyu kanakkuka, expressão popular Malayalam)
‘permanecer imóvel e não permanecer imóvel’ (A.C. Scott)
trabalhar ‘no extremo de uma respiração’…’nas terminações nervosas’ (Herbert Blau e Antonin Artaud)
a ‘corrente’ de ‘água’ (energia) que passa através de determinadas partes do corpo;
superfícies/partes do corpo ‘acordadas’ para a consciência / visão / absorção

Phillip Zarrilli é internacionalmente conhecido pelo seu método de treino psicofísico do actor, baseado em artes marciais / de meditação asiáticas, e como encenador. Tem um estúdio próprio (Tyn-y-parc C.V.N. Kalari/Studio) em Gales, e dirige workshops um pouco por todo o mundo – incluindo os recentes workshops e residências de longa-duração no Centro de Estudos sobre Jerzy Grotowski (Polónia), no Festival Internacional de Teatro de Seul, no, International Workshop Festival (Londres), no Teatro Nacional da Grécia, Theatre Training Initiative (Londres), Companhia de Teatro Tainan-Jen (Taiwan), TTRP (Singapura), Associação Teatral Gardzienice e Passe Partout (Holanda), entre muitos outros. As suas produções mais recentes das peças de Samuel Beckett, que circularam por Los Angeles (2000), Áustria (2001) e Irlanda (2004), foram aclamadas pela crítica e galardoadas com os prémios de ‘melhor actriz’ e ‘produção corajosa’ em Los Angeles. Em 2002 colaborou com a artista e escritora premiada, sedeada no Reino Unido, Kaite O’Reilly, e com o Teatro Asou (Áustria) na performance, Speaking Stones, que estreou na Áustria em Setembro, apresentada pela primeira vez na Áustria em Setembro de 2002, e estreou em Inglês em Varsóvia (Polónia), sob o convite do Centro de Estudos sobre Jerzy Grotowski, em 2003, voltando mais uma vez à Áustria com uma apresentação em Aflenz, 2004. Também em 2004 encenou The Water Station, de Ota Shogo, com o TTRP na The Esplanade Theatres on the Bay em Singapura. Entre 2005 e 2006 encenou Die Zofen (As Criadas) de Genet na Áustria, e esteve em digressão, pelo EUA, durante Março e Setembro de 2007, com The Beckett Project. Em 2007 encenou, em Singapura, a estreia de Attempts on Her Life, de Martin Crimp, (uma produção do TTRP na Esplanade Theatres on the Bay). Recentemente encenou a estreia mundial, e aclamada pela crítica, de The Almond and the Seahorse, de Kaite O’Reilly’s, com a Sherman Cymru, e a nova tradução de Psicose 4:48, de Sarah Kane, na KNUA (Seul, Corea, 2008).

Zarrilli também é reconhecido pelo seu trabalho com bailarinos e coreógrafos indianos. Em 2000 dirigiu Walking Naked, com o bailarino/coreógrafo bharatanatyam, Gitanjali Kolanad, estreou em Chennai e fez uma digressão internacional até 2004, passando por Mumbai, Londres, Seul, Nova Iorque, Toronto, etc. Em 2003 adaptou e encenou a farsa em Sânscrito do séc. XVII para a companhia de dança/teatro bharatanatyam, sedeada no Reino Unido, Sangalpam, com performances no Purcell Room, Queen Elizabeth Hall (Royal National Theatre, Londres), e por todo o Reino Unido. Em 2006 completou um nova performance a solo, The Flowering Tree, com Gitanjali Kolanad.

Junta-se ao seu percurso profissional o ensino do processo psicofísico no contexto da licenciatura e do mestrado em Theatre Practice, da Universidade de Exeter, no Reino Unido. Entre os seus númerosos livros destacam-se (como editor) Acting (Re)Considered (2ª edição no prelo), When the Body Becomes All Eyes (1998), Kathakali Dance-Drama: Where Gods and Demons Comes to Play (2000), e (como editor) Martial Arts in Actor Training (1993). O seu mais recente livro inclui um DVD-Rom interactivo (por Peter Hulton) documentando a sua abordagem ao treino do actor e performance, Psychophysical acting. An intercultural approach after Stanisalvski, acaba de ser publicado pela prestigiada Routledge (2009).
space Felix Ruckert
   
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