Évora
PHILLIP ZARRILLI & KAITE O’REILLY (PT)
PHILLIP ZARRILLI & KAITE O’REILLY (EN)
UK
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| Festival 2011 |
2010 > ESCOLA DE VERÃO > VERA MANTERO - SOLOS (PT)
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Índice
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Com uma misteriosa Coisa, disse o e. e. cummings* o Festival Escrita na Paisagem aborda mais uma das várias modalidades do tema escolhido para a edição de 2010: re:play, isto é, ler as práticas de re:petição e re:criação como centrais na criação contemporânea. Neste peça, o re:play está presente em diversos níveis, dos quais o mais evidente é propor a Vera Mantero que re:faça um dos seus solos, instalando-o num novo contexto. Re:play é, na verdade, um conceito intrínseco a uma misteriosa Coisa, disse o e. e. cummings*, já que esta peça, como nota André Lepecki, é umare:actualização de fantasmas – o de Josephine Baker e das suas coreografias e, em consequência, das problemáticas do racismo e colonialismo que atravessam a Europa pós-colonial, problemáticas especialmente sensíveis (e silenciadas) em Portugal. Em síntese, como Lepecki afirma: “a forma como o corpo europeu, feminino e branco de Mantero escolhe abordar (o fantasma de) Josephine Baker, precisamente como uma subjectividade assombradora e um corpo assombrado, intensifica o caudal de histórias e memórias do colonialismo europeu, das actuais fantasias raciais europeias e da actual amnésia do colonialismo, oferecendo uma apresentação perturbadora de uma imagem desafiante e improvável de uma mulher, uma bailarina, e uma subjectividade.” (Lepecki, 2006: 111) Lepecki, André. 2006. “Melancholic dance of postcolonial spectal: Vera Mantero summoning Josephine Baker”, Exhausting Dance: Performance and the politics of movement. Londres / Nova Iorque, Routledge: 106-122. [Tradução do original inglês por Rita Valente]. Vera Mantero estudou dança clássica e integrou o Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989. Começou a sua careira coreográfica em 1987, e desde 1991 tem mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canada, EUA e Singapura. Destes trabalhos destacam os solos “Uma rosa de músculos” (1989), “Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois” (1991), “Olympia” (1993) e “uma misteriosa Coisa, disse o e.e.cummings*” (1996), como também as peças de grupo “Sob” (1993), “Para Enfastiadas e Profundas Tristezas” (1994), “Poesia e Selvajaria” (1998), “Até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza” (2006) e a sua última criação “Vamos sentir falta de tudo aquilo de que não precisamos” (2009). Vera Mantero participa regularmente em projectos internacionais de improvisação como “Crash Landing” e “At the table”, iniciativas da coreógrafa Meg Stuart, e “On the Edge”, iniciativa de Mark Tompkins. Desde o ano 2000 dedica-se igualmente ao trabalho de voz, cantando repertório de vários autores e co-criando projectos de música experimental. Representou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo 2004 em parceria com o escultor Rui Chafes com a peça “Comer o Coração”. No ano 2007 Vera Mantero co-realizou e montou a sua versão do filme “Curso de Silêncio” (co-realização com Miguel Gonçalves Mendes). Em 1999 a Culturgest organizou uma retrospectiva do seu trabalho. No ano de 2002 foi-lhe atribuído o Prémio Almada (IPAE/Ministério da Cultura Português) e no ano 2009 o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete. |
Évora
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Antiga Fábrica dos Leões, Universidade de Évora
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